Asilos
Reprodução/Facebook
Moradores do asilo 'O Sorriso de Stefano": Idosos são os mais atingidos pela Covid-19 na Itália

Em uma das faces mais tristes da pandemia do novo coronavírus (Sars-CoV-2) na Itália, a morte de idosos em asilos se alastra pelo país. Apesar dos dados oficiais não separarem os locais de onde vieram as vítimas, um levantamento feito pela ANSA com base em notícias publicadas desde o dia 10 de março, quando entrou em vigor o decreto que impõe quarentena obrigatória na Itália, inclusive proibindo visitas a asilos, conseguiu identificar ao menos 1.170 mortes - confirmadas e suspeitas - nesse tipo de estrutura. Até essa quinta-feira (3), a Defesa Civil contabilizava 13.915 óbitos no país.

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Na Itália , há três tipos de estruturas que acolhem idosos : as Residências Sanitárias Assistenciais (RSAs), destinadas aos que não são autossuficientes e que têm necessidades de saúde específicas; as Casas de Repouso, destinadas àqueles que conseguem se manter parcialmente e que podem ser públicas ou privadas; e as Residências Sóciossanitárias Assistenciais para Idosos (RSSA, na sigla em italiano), voltadas para pessoas acima de 64 anos, com graves doenças mentais ou físicas e que não conseguem ter uma vida autônoma.

Muitos dos dados disponíveis sobre as mortes nesses locais estão sendo repassados por prefeitos, governadores, membros do judiciário e responsáveis pelas entidades, que pedem ações urgentes para atender a essas pessoas.
O apelo mais dramático veio de maneira conjunta, em uma carta assinada pelos responsáveis por asilos da província de Bergamo e destinada à Agência Sanitária Local (ASL) e ao governo da Lombardia . De acordo com o documento, obtido pela ANSA, foram 600 mortes em 20 dias apenas nas estruturas para idosos da província.

"Enquanto escrevemos sobre a situação, ela continua a evoluir e piorar. Estamos de joelhos também na questão operacional porque quase 2 mil dos 5 mil trabalhadores estão ausentes por conta da doença, em quarentena ou isolamento", disseram os representantes. Bergamo é a segunda província italiana com mais casos do novo coronavírus , com 9.171 contaminações detectadas até essa quinta-feira (2), ficando atrás apenas de Milão, com 10.004.

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Brescia, com 8.757, aparece na sequência. As três ficam na região da Lombardia, a mais afetada pela pandemia , com 46.065 casos confirmados da Covid-19 .

Em outro episódio envolvendo asilos, a Procuradoria de Turim abriu nesta quinta uma investigação sobre a morte de 21 dos 87 idosos que moram na RSA Casa San Giuseppe, em Grugliasco, por suspeita de coronavírus. Na província, já há a confirmação de 57 vítimas dentro desse tipo de estrutura.

Outro caso grave ocorre na província de Pavia, também na Lombardia, onde a Agência de Tutela da Saúde ( ATS ) informou que há 100 mortes suspeitas nos RSAs por conta da nova doença. Os testes ainda estão sendo realizados para confirmar a Covid-19.

Para o governador do Vêneto, Luca Zaia, a pandemia, "infelizmente, será lembrada como aquela do 'vírus das casas de repouso', porque ela atinge as pessoas mais fracas". Segundo o político, a sua região - a quarta com mais casos da doença - está olhando com atenção para a situação nesses locais, enviando uma quantidade maior de testes e equipamento de proteção .

Casos por residências

Até o momento, o caso mais grave foi registrado na Residenza Borromea, em Mediglia, na província de Milão. A casa de repouso contabiliza 62 mortes, o que representa quase a metade dos 150 idosos atendidos no local, e outros 43 casos confirmados entre pacientes e funcionários. Filhos e netos das pessoas atendidas no local fizeram uma denúncia contra os gestores do asilo.

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Outro caso bastante emblemático ocorre na casa de repouso Fondazione Santa Chiara, em Lodi, também na Lombardia. Segundo a mídia local, são 38 idosos que morreram em março por conta da Covid-19. Sem citar números, a entidade publicou, no dia 26 daquele mês, uma carta aberta para os familiares das pessoas atendidas.

"A situação, como vocês puderam ler [na imprensa], é difícil, muitos são os idosos que morreram desde o início da epidemia, seguramente muito mais do que aquilo que consideramos 'normal' no andamento das mortes dentro de uma casa de repouso", informa a nota. O documento ainda reforça que medidas de segurança foram colocadas em prática no local, mas que, "infelizmente, mesmo com os nossos repetidos apelos às autoridades competentes, não foi possível submeter hóspedes e equipe aos procedimentos para identificar a Covid-19".

Já na província de Brescia, o episódio mais dramático é na casa de repouso Quinzano d'Oglio, onde 33 pessoas faleceram por conta da doença . Em uma postagem no Facebook, a entidade informou que, "apesar do esforço físico e psicológico de todo o nosso pessoal, a situação da casa de repouso, com poucos sinais de melhora, continua grave". Entre as características mais marcantes do novo coronavírus, está a altíssima letalidade entre as pessoas acima dos 60 anos.

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Segundo dados do Instituto Superior de Saúde ( ISS ), órgão ligado ao governo italiano, a idade média dos que faleceram da doença até o dia 30 de março é de 78 anos. O relatório, que analisa as mortes registradas até aquele dia (10.026, no total), mostra que houve 1.162 falecimentos na faixa dos 60 aos 69 anos, 3.458 entre 70 e 79, 3.984 entre 80 e 89 e 940 acima dos 90 anos. Nas outras faixas etárias, os números são bem menores: 369 entre 50 e 59 anos, 89 entre 40 e 49, 20 entre 30 e 39 e dois entre 20 e 29.

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