Avenida em Brasília com pouco movimento após medidas de isolamento
Marcello Casal JR/ABr
Avenida em Brasília com pouco movimento após medidas de isolamento

A pandemia do coronavírus deixou as vidas e economias mundiais em meio ao caos. Mas os esforços para conter a disseminação do vírus também podem significar uma diminuição no movimento da Terra, diz estudo publicado na revista "Nature".

Pesquisadores que estudam o assunto têm reportado uma queda nos ruídos sísmicos — barulhos provocados pelas vibrações ocorridas na crosta terrestre — que podem ser resultado da suspensão de várias atividades humanas.

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“Uma diminuição dessa magnitude dos ruídos, normalmente, só acontece momentaneamente durante o Natal”, afirma Thomas Lecocq, sismólogo do Royal Observatory da Bélgica em Bruxelas, onde o fenômeno foi observado.

Fenômenos naturais como os terremotos causam o movimento da crosta. O mesmo acontece com as vibrações provocadas pelo movimentos dos veículos em geral e das máquinas industriais. E mesmo que o efeito de fontes individuais seja pequeno, juntas elas produzem barulho em segundo plano, que acabam por reduzir a capacidade dos sismólogos de detectar outros sinais na mesma frequência.

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Segundo Lecocq, os dados obtidos pelo sismógrafo do observatório mostram que as medidas tomadas para frear a propagação da Covid-19, em Bruxelas, fizeram com que os ruídos sísmicos diminuíssem 1/3. Entre essas medidas estão o fechamento de escolas, restaurantes e avenidas, desde o dia 14 de março.

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Essa queda foi responsável pelo aumento da sensibilidade do equipamento do observatório, melhorando sua capacidade de detecção de ondas no mesmo raio de frequência que as dos ruídos sísmicos. De acordo com Lecocq, "está tudo muito quieto na Bélgica".

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“Caso o isolamento permaneça nos próximos meses, os detectores espalhados pelo mundo funcionarão melhor do que nunca para detectar as réplicas de terremotos”, disse Andy Frassetto, sismólogo da Incorporated Research Institutions for Seismology em Washington.

A queda desses ruídos poderá beneficiar também os sismólogos que utilizam as vibrações de fenômenos naturais, como os provocados pela arrebentação das ondas, para monitorar a crosta terrestre. Lecocq e sua equipe já planejam iniciar os testes. “Existe uma grande chance de que isso nos leve a medições mais precisas”, comemora.

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Os sismólogos belgas não foram os únicos a perceber as consequências do isolamento social. Celeste Labedz, uma estudante de Geofísica do Instituto de Tecnologia da Califórnia, nos EUA, tuitou que "uma queda similar nos ruídos sísmicos havia sido observada em uma estação de Los Angeles".

Para Emily Wolin, uma geóloga da US Geological Survey em Albuquerque, no Novo México, infelizmente, nem todas as estações sísmicas serão capazes de perceber esse efeito, de forma tão acentuada, como o ocorrido em Bruxelas. Segundo ela, muitas estações estão propositalmente localizadas em áreas mais remotas ou dentro de poços para evitar o barulho provocado pelas ações humanas. Nestes casos, só perceberão uma pequena diminuição.

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