Primeiro-ministro britânico, Boris Johnson
Reprodução/Instagram Boris Johnson
Primeiro-ministro britânico, Boris Johnson

Faltando apenas duas semanas para o prazo final do Brexit, Reino Unido e União Europeia chegaram nesta quinta-feira (17) a um acordo para garantir que o país tenha uma saída ordenada do bloco.

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O pacto sobre o Brexit foi alcançado após uma noite inteira de negociações entre Londres e Bruxelas e, segundo o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, trata-se de um compromisso "justo e equilibrado" para os dois lados.

"Onde tem vontade, tem acordo, e nós temos um. Recomendamos que o Conselho Europeu endosse esse acordo", disse o chefe do poder Executivo da UE. Já o primeiro-ministro do Reino Unido, Boris Johnson , afirmou que o Parlamento precisa aprovar o tratado para que o país "possa seguir em frente e focar em outras prioridades, como custo de vida, saúde, criminalidade e meio ambiente".

Após o anúncio, o premier partiu para Bruxelas , onde participa nesta quinta da reunião de cúpula do Conselho Europeu . O órgão é a principal instância política da UE e reúne os líderes de todos os Estados-membros, que precisam aprovar o texto por unanimidade.

"A paciência é uma virtude, e o Brexit é uma escola de paciência. Encontramos um acordo sobre a saída ordenada e sobre nossas relações futuras. É resultado de um trabalho intenso", disse o negociador-chefe da União Europeia , Michel Barnier.

De acordo com ele, o novo texto mantém boa parte do que foi apresentado no ano passado, mas com "elementos novos sobre a ilha da Irlanda e sobre a declaração política".

Votações

Apesar da celebração nos dois lados, o acordo ainda precisa ser aprovado tanto pelo Parlamento britânico como pelo Legislativo da União Europeia. No Reino Unido, o Partido Unionista Democrático (DUP), legenda norte-irlandesa que dá sustentação a Johnson, e o Partido Trabalhista, de oposição, criticaram o novo texto.

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"Do jeito que as coisas estão, não podemos apoiar o que tem sido sugerido", disse a líder do DUP, Arlene Foster. Já o chefe da oposição, Jeremy Corbyn , afirmou que o acordo é pior que o obtido pelo governo de Theresa May , rejeitado três vezes no Parlamento.

"Se Johnson terá ou não maioria no Parlamento, veremos no sábado [19], mas por enquanto parece que ele não tem apoio nem de seus aliados, e nós não apoiamos esse acordo", acrescentou.

O acordo

O plano de Johnson para o Brexit prevê que todo o Reino Unido saia da UE e da união aduaneira europeia no fim de 2021, quando terminar o período de transição, mas que a Irlanda do Norte permaneça no mercado único para bens agrícolas e industriais ao menos até 2025.

Por outro lado, a proposta estabelece a instituição de controles aduaneiros entre as Irlandas, mas não na linha de fronteira, que deve permanecer sem barreiras para respeitar o acordo de paz do fim dos anos 1990.

A ideia é uma alternativa ao "backstop", mecanismo que previa que a Irlanda do Norte e a República da Irlanda mantivessem fronteiras abertas caso Londres e Bruxelas não conseguissem fechar um acordo comercial durante o período de transição do Brexit.

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Johnson considera esse sistema "incompatível com a soberania do Reino Unido", uma vez que ele poderia criar uma fronteira dentro do país. O primeiro-ministro já disse que a única alternativa à sua proposta é um Brexit sem acordo.

Se o texto for aprovado, o rompimento acontecerá em 31 de outubro de 2019, com um período de transição até o fim de 2021.

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