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Imóveis teriam sido adquiridos com dinheiro de pagamentos da empreiteira a uma das empresas que ele omitiu ao chegar à presidência

Ex-presidente do Peru Kuczynski de paletó com fundo azul arrow-options
Reprodução/TV Perú
Kuczynski foi detido em abril do ano passado e está em prisão domiciliar

A Justiça do Peru ordenou nesta segunda-feira (23) o embargo de duas casas do octogenário ex-presidente Pedro Pablo Kuczynski  , que cumpre prisão domiciliar há cinco meses em razão do escândalo de corrupção envolvendo a empreiteira brasileira Odebrecht .

“Foi ordenada a apreensão com fins de confisco de dois imóveis da empresa Dorado Asset Management Company, que pertence a Pedro Pablo Kuczynski”, anunciou a Corte Superior de Lima em um comunicado.

O juiz Jorge Luis Chávez aprovou um pedido para embargar os imóveis feito por promotores da equipe especial que cuida do caso Odebrecht , que atinge quatro ex-presidentes peruanos. Além de Kuczynski, conhecido pela sigla PPK , são investigados Alejandro Toledo (2001-2006), que aguarda decisão sobre sua extradição dos EUA para responder a processo relativo ao caso em seu país; Ollanta Humala (2011-2016); e Alan García (1985-1990 e 2006-2011), que se suicidou em abril passado antes de ser preso preventivamente por envolvimento no escândalo.

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Uma das propriedades objeto do embargo é vizinha à residência do distrito limenho de San Isidro onde Kuczynski vive e cumpre sua prisão domiciliar. Segundo o promotor Domingo Pérez, um dos autores do pedido, a imóvel onde está o ex-presidente “não será afetado” pela ordem judicial. Já o outro imóvel embargado é uma casa de campo no distrito de Cieneguilla, nos arredores de Lima.

"Ambas as casas foram adquiridas pela empresa Dorado, da qual Kuczynski é acionista majoritário",  disse Pérez.

Os imóveis passarão para as mãos do Programa Nacional de Bens Apreendidos (Pronabi) até que a Justiça periana decida por seu confisco ou restituição.

Segundo os promotores, o dinheiro usado pela Dorado para comprar os imóveis seria proveniente de pagamentos realizados pela Odebrecht por meio da Westfield Capital, empresa também de propriedade de Kuczynski, por assessorias de operações financeiras no Peru.

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Kuczynski, que completa 81 anos em 3 de outubro, iniciou seu governo em julho de 2016 e renunciou em março de 2018 encurralado por denúncias de corrupção. A promotoria peruana o investiga pelo “delito de lavagem de ativos com o agravante de pertencer a uma organização criminal em agravo do Estado”.

Em abril passado, PPK teve um marcapasso implantado, pelo que um tribunal decidiu que poderia cumprir em casa os 36 meses de prisão preventiva solicitada pela promotoria enquanto avança nas investigações contra ele. Posteriormente, ele já foi hospitalizado em duas ocasiões.

Kuczynski foi o primeiro presidente em exercício nas Américas a renunciar pelos escândalos envolvendo a Odebrecht. A empreiteira brasileira teria realizado pagamentos a duas empresas vinculadas a ele — Westfield Capital e Firts Capital — por assessorias para operações financeiras, informações que Kuczynski omitiu quando chegou ao poder. O Congresso do Peru, dominado pela oposição fujimorista, se preparava para destituí-lo quando renunciou.

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Bem-sucedido ex-banqueiro em Wall Street, Kuczynski vive sozinho na casa de San Isidro, pois sua esposa americana agora reside em seu país de origem.