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Presidente também deverá defender soberania do Brasil em resposta ao líder francês Emmanuel Macron, que falou em internacionalização da Amazônia

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Marcos Corrêa/PR
Discurso de Bolsonaro na ONU terá críticas a Venezuela e Cuba

O discurso que o presidente Jair Bolsonaro (PSL) prepara para a abertura da 74ª Assembleia Geral das Nações Unidas, no dia 24 em Nova York, terá duras críticas ao governo de Nicolás Maduro na Venezuela e a Cuba como um dos pontos principais de sua fala. A defesa da soberania da Amazônia, em uma resposta ao presidente francês Emmanuel Macron, que disse que um debate sobre internacionalização da floresta estava "em aberto" , também deverá constar no texto, que está em fase de final de ajustes.

Os detalhes do discurso foram discutidos na manhã desta quarta-feira (18) com o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) e os ministros Ernesto Araújo (Relações Exteriores) e
Augusto Heleno (Gabinete de Segurança Institucional), no Palácio da Alvorada.

A declaração de Bolsonaro coincide com o pedido nesta quarta-feira de Julio Borges, comissário de relações exteriores do líder oposicionista venezuelano Juan Guaidó, para que os países que participarão da Assembléia Geral da ONU aumentem “ainda mais” a pressão contra o governo Maduro e Cuba.

O porta-voz da Presidência, Otávio do Rêgo Barros, disse, também nesta quarta-feira, que o presidente fará um discurso “de coração” e uma defesa do Brasil nas questões envolvendo o meio ambiente.

"Ele vai apresentar o nosso país e as nossas potencialidades e vai esclarecer de uma vez por toda essas questão Brasil versus meio ambiente. O quanto o Brasil defende o meio ambiente e vem fazendo, não de agora, já há muito, um processo de sustentação ambiental que muitas vezes é desconhecido. Ou por desconhecimento da pessoa ou até por não querer divulgar o que o Brasil vem fazendo em termos de proteção", disse o porta-voz.

Rêgo Barros  confirmou que a ida de Bolsonaro à ONU está “100%” certa. Segundo ele, de ontem para hoje, houve uma melhora significativa na saúde do presidente e não deixa mais
“dúvida” sobre a viagem. "Eu afirmo 100% que o presidente vai a Nova York", disse.

Na terça-feira, o porta-voz havia dito que a viagem ainda estava “sob análise” e que só seria confirmada após avaliação feita pelo equipe do cirurgião Antonio Luiz Macedo . Bolsonaro se recupera de uma operação para correção de uma hérnia, realizada em 8 de setembro. A ida também causava divergências entre pessoas próximas ao presidente . Parte defendia que ele não viajasse.

"O dr. Macedo vem na sexta-feira para dar continuidade à avaliação do presidente, mas hoje o sentimento, a partir das análises da equipe do presidente, é que não há mais dúvida com relação à confirmação da ida dele a Nova York", reafirmou Rêgo Barros.

Segundo o porta-voz, Bolsonaro caminhou 1.000 metros pela manhã e à tarde no Palácio do Alvorada e recebeu o médico da Presidência, Ricardo Peixoto Camarinha, duas vezes. Rêgo
Barros confirmou também que a passagem por Dallas, no Texas, foi cancelada. Bolsonaro se encontraria com empresários ligados ao setor militar dos Estados Unidos no aeroporto.

A agenda de Bolsonaro nos Estados Unidos foi encurtada por recomendações médicas. Foram suspensas reuniões bilaterais com sete chefes de Estado que ainda estavam sendo alinhavadas. Saíram da programação encontros com o primeiro-ministro do Reino Unido, Boris Johnson, e com o presidente americano Donald Trump, além de conversas com os líderes de Polônia, Colômbia, Peru, Ucrânia e África do Sul. Há a previsão, porém, de que Bolsonaro assista ao pronuciamento de Trump, o segundo a discurso na ONU, logo após o do
Brasil.

Bolsonaro viajará acompanhado da primeira-dama, Michelle Bolsonaro, e do filho e deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), que aguarda ser indicado para o cargo de embaixador
do Brasil nos Estados Unidos. Também devem viajar os ministros Augusto Heleno, do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), e Luiz Eduardo Ramos, da Secretaria de Governo
(Segov), e o senador Nelsinho Trad (PSD-MS), presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado.

O embarque da comitiva brasileira está previsto para segunda-feira, dia 23, às 8h, com chegada em Nova York às 16h. À noite, o presidente terá um jantar privado com empresários.
Inicialmente, a volta para o Brasil está confirmada para o dia 25, mas pode ser antecipada para a noite do dia anterior.