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O deputado Phillip Lee deixou o grupo dos Conservadores, ao qual pertence o primeiro-ministro Boris Johnson, e se juntou aos Liberais Democratas

Agência Brasil

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Reprodução/Facebook Boris Johnson
Boris Johnson tem travado uma batalha com o Parlamento em função do Brexit

O Governo britânico perdeu maioria no Parlamento depois de o deputado Phillip Lee abandonar os Conservadores e se juntar aos Liberais Democratas. Em seu discurso no Parlamento britânico, Boris Johnson continua a defender a saída do Reino Unido da União Europeia em 31 de outubro "sem acordo, se for preciso" e reitera que não quer eleições antecipadas. O primeiro-ministro britânico instou o Parlamento a rejeitar a proposta de lei que defende o adiamento do Brexit e que será votada nesta terça-feira (3).

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O político britânico trocou de bancada enquanto o primeiro-ministro discursava, durante reunião no Parlamento que decide o adiamento da saída do Reino Unido da União Europeia. A saída de Phillip Lee para os Liberais Democratas resulta numa perda de maioria do Governo de Boris Johnson , dado que a vantagem dos Conservadores era de apenas um deputado em relação à oposição. Este cenário coloca o Reino Unido mais perto da possibilidade de eleições.

Na sua conta do Twitter, Phillip Lee deixou um comunicado sobre sua saída: "Após muita reflexão, cheguei à conclusão de que não é mais possível servir aos melhores interesses dos meus eleitores e do país como membro Conservador do Parlamento ".

Numa carta endereçada ao primeiro-ministro britânico, o deputado argumenta que o Governo de Boris Johnson "procura agressivamente um Brexit prejudicial e de uma forma sem princípios. Coloca vidas e meios de subsistência em risco desnecessariamente e coloca em risco a integridade do Reino Unido. De forma mais generalizada, prejudica a economia, a democracia e o papel do nosso país no mundo, usando manipulação política, intimidação e mentiras".

“Estou desolado com o que o Partido Conservador se tornou, com o papel que desempenhou no setor da alimentação e no populismo, no desperdício de uma reputação duramente conquistada por uma boa administração, e na direção em que colocou o nosso país. Esses não são os meus valores. Não vou tolerar implicitamente estas coisas ao fazer parte delas”, continuou a argumentar o deputado.

Por sua vez, Phillip Lee considera que os Liberais Democratas "construem a força política unificadora e inspiradora necessária para curar as nossas divisões, estimular os nossos talentos, preparar-nos para aproveitar as oportunidades e superar as dificuldades, desafios que enfrentamos como sociedade - e deixar o nosso país e mundo em melhores condições para as próximas gerações".

O deputado, em entrevista à Sky News , deixou em aberto a possibilidade de mais conservadores seguirem o seu exemplo. "Eu não acho que todos os Conservadores estarão sentados do lado dos Conservadores após a próxima eleição", disse Phillip Lee ao canal televisivo norte-americano. "Nós todos entramos na política para fazer uma diferença positiva e eu acho que vários colegas querem continuar fazendo essa diferença positiva. Eu concluí que fazer isso no Partido Conservador não funciona para mim", continuou.

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"Nunca me renderei"

Assobios e gargalhadas foram ouvidos no Parlamento no momento em que Boris Johnson discursou. O primeiro-ministro britânico manteve sua posição de defesa de uma saída do Reino Unido a 31 de outubro, "aconteça o que acontecer" e "sem acordo, se for preciso".

No seguimento do seu discurso na segunda-feira, Boris Johnson disse estar "confiante" na chegada a um acordo para a saída do Reino Unido da União Europeia e falou em "progresso" nas negociações com Bruxelas.

Johnson também argumentou que o projeto de lei, que será votado nesta terça-feira sobre o adiamento da saída do Reino Unido, poderá "destruir as negociações". "Querem minar-nos, querem forçar-nos a implorar por outro adiamento inútil. Se isso acontecer, todo o progresso que fizemos não vale nada", defendeu o primeiro-ministro britânico. “Insto a Câmara a rejeitar esta proposta de lei”, afirmou Boris Johnson.

Caso o Parlamento vote favoravelmente nesta moção, Boris Johnson declarou que seria obrigado a "ir a Bruxelas implorar por um adiamento". O primeiro-ministro acrescentou que em "nenhuma circunstância" aceitará essa proposta e deixa uma mensagem clara: “Nunca me renderei e entregarei o controle das negociações da forma que o líder da oposição está pedindo”.

“Prometemos que iríamos cumprir o resultado do referendo e é o que iremos fazer. Não haverá outro adiamento inútil”, acrescentou. “Aprovar esta moção seria mostrar uma bandeira branca”, argumentou o primeiro-ministro.

No entanto, Boris Johnson mais tarde ressaltou que "obedecerá à lei" caso a proposta que pretende bloquear uma saída sem acordo seja aprovada.

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Public Domain Pictures
Boris Johnson vai suspender Parlamento para evitar boicote ao Brexit


"Não quero eleições"

Num cenário de aprovação do projeto de lei apresentado pelos partidos da oposição e pelos "rebeldes" conservadores, podem ser convocadas eleições antecipadas. Boris Johnson já tinha dito na segunda-feira e nesta terça-feira voltou a reiterar: "Não quero uma eleição. Nós não queremos uma eleição e não me parece que ele [Jeremy Corbyn] queira uma eleção".

"Já chega. O país quer que o Brexit seja executado", sublinhou Johnson.

O fantasma de eleições antecipadas continua, no entanto, a pairar, com fontes do Governo do Reino Unido dizendo que serão convocadas eleições em 14 de outubro, caso o projeto de lei seja aprovado.

As mesmas fontes indicam que, para que ocorram as eleições, é necessário que a legislação tenha, nesta terça-feira, o aval de pelo menos dois terços do Parlamento.

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"Governo de covardia"

Jeremy Corbyn, líder da oposição, também discursou no Parlamento e respondeu ao primeiro-ministro, acusando o Governo de Johnson de ser um "governo de covardia".

“Este Governo está a esconder-se do escrutínio, do povo e está a esconder-nos as suas verdadeiras intenções. Este não é apenas um Governo do caos, é um Governo de covardia”, declarou Jeremy Corbyn.

O líder do Partido Trabalhista pediu ainda a Boris Johnson que "reflita" sobre as suas palavras, dirigindo-se à expressão de "lei de rendição de Jeremy Corbyn" utilizada por Johnson relativamente à moção. "Não é uma rendição porque não estamos em guerra com a UE”, disse Corbyn. “A rendição será se tivermos uma saída sem acordo e pusermos em causa a nossa indústria e os nossos empregos".