Boris Johnson defende Brexit sem acordo
Reprodução/Instagram Boris Johnson
Primeiro-ministro britânico, Boris Johnson pressiona parlamentares por Brexit

Na véspera do retorno do Parlamento britânico do recesso de verão, o primeiro-ministro Boris Johnson deu um ultimato aos deputados em relação a uma proposta de lei que tentará evitar que a saída do país da União Europeia ocorra sem acordo de transição. Falando a jornalistas após um encontro com lideranças do Partido Conservador, ele afirmou que seus correligionários deveriam estar " defendendo o governo ", não se juntando à oposição para barrar o Brexit.

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Nos últimos dias, um grupo de parlamentares conservadores se rebelou contra a possibilidade do Brexit ocorrer sem um acordo. A rebelião foi motivada em boa parte pela decisão de Johnson, anunciada no dia 28 de agosto, de suspender o Parlamento entre os dias 12 de setembro e 13 de outubro, de modo que eles não tivessem tempo de votar medidas que impedissem o Brexit na data prevista de 31 de outubro.

Os dissidentes conservadores se juntaram à oposição, liderada pelos trabalhistas, para lançar uma proposta que obrigaria Johnson a aceitar uma extensão do prazo para a saída da UE. O plano deve ser apresentado já nesta terça-feira, mas o premier disse que "em nenhuma circunstância" vai aceitar um novo prazo.

Se aprovada,  a proposta obrigaria o governo a pedir uma extensão de três meses, até o dia 31 de janeiro de 2020 , caso o Parlamento não aprove um novo acordo com Bruxelas ou não concorde com a saída sem um acordo até o dia 19 de outubro.

Esse seria o terceiro adiamento: originalmente, a saída do bloco estava marcada para o dia 29 de março, mas a então premier Theresa May pediu duas extensões, primeiro para o dia 22 de maio e, por fim, para o dia 31 de outubro. Qualquer mudança depende do aval da União Europeia.

Tal perspectiva é repudiada por Boris Johnson , que ameaçou expulsar os rebeldes do partido se sofrer uma derrota. "Quero que todos saibam que em nenhuma circunstância vou pedir a Bruxelas que atrase (o Brexit): vamos sair no dia 31 de outubro, não haverá 'se' ou 'mas'".

Segundo analistas e pessoas próximas a Johnson, se a proposta for aceita, ele deve colocar em discussão no plenário a realização de novas eleições gerais, três anos antes do previsto. No discurso desta terça, porém, afirmou que é melhor "ir em frente sem uma eleição", e que ninguém quer ir às urnas neste momento.

Apesar das brigas internas, Johnson disse ver " avanços " nas negociações com a União Europeia, afirmando acreditar que uma saída negociada ainda é possível.

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Novas eleições

Já antecipando uma vitória da oposição, o líder trabalhista Jeremy Corbyn disse ver com bons olhos uma nova eleição, afirmando que ela seria “a última chance para evitar uma saída da União Europeia sem acordo”. A primeira-ministra da Escócia, Nicola Sturgeon, afirmou que a votação precisa acontecer antes do dia 31 de outubro . Mas o ex-premier trabalhista Tony Blair advertiu que a ideia pode ser uma armadilha para favorecer Boris Johnson.

"Ele (Johnson) pode ter sucesso mesmo existindo uma maioria contra o Brexit sem acordo, uma vez que muitos temem ainda mais a possibilidade de Corbyn se tornar primeiro-ministro", disse Blair, rival de Johnson no partido opositor.

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Segundo o jornal The Sun , o premier poderia convocar a eleição para antes do dia 17 de outubro, quando acontecerá a última reunião do Conselho Europeu antes de 31 de outubro. Uma fonte do governo britânico afirmou, mais tarde, que a votação pode ocorrer no dia 14 de outubro.

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