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Por unanimidade, a Segunda Turma do STF negou extradição do empresário Ali Sipahi, acusado de terrorismo pelo regime turco de Erdogan

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Divulgação/Centro Cultural Brasil-Turquia
"Quando existe Justiça, não tenho medo", diz turco opositor de Erdogan após vitória no STF

"Quando chegou ao 3 a 0, nós começamos a comemorar". A frase poderia se referir a uma partida de futebol, mas a torcida de Ali Sipahi era por outro motivo. Turco naturalizado brasileiro, ele comemorava sua própria  vitória no Supremo Tribunal Federal (STF), na última terça (6). A Corte julgava um pedido para enviá-lo de volta ao seu país natal.

Por unanimidade, os cinco ministros da Segunda Turma rejeitaram o pedido de extradição de Sipahi para a Turquia, feito pelo regime turco de Recep Tayyip Erdogan. Com os votos do relator Edson Fachin, de Ricardo Lewandowski e de Gilmar Mendes, o entendimento a seu favor já estava garantido, mesmo sem os votos de Celso de Mello e Cármen Lúcia.

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Acusado de terrorismo em seu país natal por integrar um movimento de oposição ao governo, o Hizmet, Sipahi foi preso em 5 de abril pela Polícia Federal e, desde junho, esperava pelo julgamento que levaria sua vida de empresário de volta à normalidade.

"Quando existe Justiça, não tenho medo nenhum. Eu já sabia que não seria extraditado. Boa parte da minha vida eu passei no Brasil, aqui é meu lar", declarou Sipahi, antes de fazer uma pausa para segurar o choro de emoção. "O Brasil tem grande importância na minha vida", acrescentou.

O caso de Ali Sipahi não é ordinário. A decisão do STF criou um precedente importante para impedir que outras prisões consideradas arbitrárias sejam feitas no Brasil, segundo os defensores públicos João Paulo Dorini e Viviane Del Grossi, que acompanharam o caso. O fato de a Defensoria Pública da União ter entrado no processo como amicus curiae, dizem eles, deu "outros contornos" ao caso.

"Em processos de extradição isso não costuma acontecer. Foi um momento histórico para o STF. Dificilmente se vê unanimidade em julgamentos no Supremo", afirmou Dorini.

Ali Sipahi diz que não poderia estar mais feliz. Quando o julgamento terminou, ele e outros membros do Hizmet, reunidos no Centro Cultural Brasil-Turquia em São Paulo, comemoraram a decisão com a tradicional pizza turca.

"Aqui no Brasil, todo mundo ficou chocado. Ninguém sabia que tinha uma investigação sobre mim na Turquia. Não tenho nada com a Turquia. Estou vivendo há 12 anos no Brasil. Muita gente deixou família e suas coisas lá para viver em outro país. Não é fácil isso. Agora, com essa decisão, quem estava aqui vai poder continuar aqui. Vai ser um seguro para nós continuarmos vivendo aqui", declarou Ali Sipahi.

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Nem os riscos que ainda existem preocupam o empresário. Isso porque, de acordo com ele, o governo da Turquia tem usado um "método ilegal" de levar quem ele considera terrorista de volta ao país. "Se eu tenho medo de ser sequestrado? Vamos ver, né? Por enquanto, estou aqui", disse o turco , com um sorriso tímido.