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Assembleia Consultativa da Arábia Saudita afirma que medida acompanha decisões como a que permitiu que mulheres dirigissem no país árabe

Mulher da Arábia Saudita segura passaporte arrow-options
Reprodução/CNN - 16.01.2017
Programa 'Visão Saudita 2030' está trazendo mais direitos para as mulheres

As mulheres da Arábia Saudita  serão, a partir de agora, autorizadas a obter passaporte e viajar ao exterior sem precisar obter a aprovação de um tutor do sexo masculino, anunciou o governo de Riad nesta quinta-feira (1).

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“Um passaporte será emitido a todo cidadão saudita que fizer a demanda”, indicou o jornal governamental Umm Al Qura, citando uma declaração do Executivo. Segundo o jornal Okaz, vinculado ao governo, e outros veículos que citaram autoridades, esta nova regra será aplicada a mulheres a partir de 21 anos.

Nos últimos meses várias jovens sauditas fugiram do país e fizeram pedidos públicos por asilo, tentando escapar de suas famílias e do governo. No ano passado, as autoridades prenderam as principais ativistas do país numa enorme operação de repressão.

A questão foi levada à Assembleia Consultativa da Arábia Saudita, que destacou a necessidade de revogar o requerimento da permisão para viagens. A Dra. Eqbal Darandari, membro da Assembleia defendeu que a medida estava alinhada com a decisão de permitir que as mulheres dirigissem automóveis.

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"Defendo a justiça, e há muita injustiça contra mulheres devido a tradições e práticas mal interpretadas, e visões limitadas religiosas, colocando as mulheres em perigo", afirmou Darandari.

Desde o anúncio do programa Visão Saudita 2030 , lançado pelo príncipe herdeiro do trono saudita, Mohammed bin Salman, autoridades têm destacado falhas no sistema que impedem que as mulheres do país vivam de maneira segura e livre de empecilhos desnecessários. Na série de reformas apresentadas por Mohammed regras foram alteradas, permitindo que mulheres pudessem trabalhar, estudar em universidades e ser submetidas a cirurgias sem a autorização de um guardião.

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Críticos, no entanto, afirmam que a detenção de ativistas e a repressão a dissidentes, incluindo Jamal Khashoggi — o jornalista assassinado no consulado da Arábia Saudita em Istambul — afirmam que o regime só está disposto a mudar de acordo com sua própria agenda.