As mulheres da Arábia Saudita serão, a partir de agora, autorizadas a obter passaporte e viajar ao exterior sem precisar obter a aprovação de um tutor do sexo masculino, anunciou o governo de Riad nesta quinta-feira (1).
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“Um passaporte será emitido a todo cidadão saudita que fizer a demanda”, indicou o jornal governamental Umm Al Qura, citando uma declaração do Executivo. Segundo o jornal Okaz, vinculado ao governo, e outros veículos que citaram autoridades, esta nova regra será aplicada a mulheres a partir de 21 anos.
Nos últimos meses várias jovens sauditas fugiram do país e fizeram pedidos públicos por asilo, tentando escapar de suas famílias e do governo. No ano passado, as autoridades prenderam as principais ativistas do país numa enorme operação de repressão.
A questão foi levada à Assembleia Consultativa da Arábia Saudita, que destacou a necessidade de revogar o requerimento da permisão para viagens. A Dra. Eqbal Darandari, membro da Assembleia defendeu que a medida estava alinhada com a decisão de permitir que as mulheres dirigissem automóveis.
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"Defendo a justiça, e há muita injustiça contra mulheres devido a tradições e práticas mal interpretadas, e visões limitadas religiosas, colocando as mulheres em perigo", afirmou Darandari.
Desde o anúncio do programa Visão Saudita 2030, lançado pelo príncipe herdeiro do trono saudita, Mohammed bin Salman, autoridades têm destacado falhas no sistema que impedem que as mulheres do país vivam de maneira segura e livre de empecilhos desnecessários. Na série de reformas apresentadas por Mohammed regras foram alteradas, permitindo que mulheres pudessem trabalhar, estudar em universidades e ser submetidas a cirurgias sem a autorização de um guardião.
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Críticos, no entanto, afirmam que a detenção de ativistas e a repressão a dissidentes, incluindo Jamal Khashoggi — o jornalista assassinado no consulado da Arábia Saudita em Istambul — afirmam que o regime só está disposto a mudar de acordo com sua própria agenda.