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Huang Qi é fundador de um site que divulga notícias sobre violações aos direitos humanos, corrupção e protestos contra o governo

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Reprodução
Huang Qi, 'ciberdissidente' pioneiro, é condenado a doze anos de prisão na China

Considerado o primeiro ciberdissidente da China, Huang Qi, criador de um portal de notícias que aborda temas considerados polêmicos no país, como os direitos humanos, foi condenado nesta segunda-feira (29) a 12 anos de prisão por vazar segredos de Estado.

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Segundo o Tribunal de Mianyang, no sudeste da China , Huang, de 56 anos, foi considerado culpado de "filtrar segredos de Estado e fornecê-los a entidades estrangeiras". Segundo a Justiça chinesa, o "ciberdissidente" ficará privado de seus direitos políticos por quatro anos.

Na mira das autoridades desde o ano 2000, o homem é fundador do site 64 Tianwang , portal criado em 1998 para ajudar familiares e amigos de pessoas desaparecidas que, com o tempo, passou a divulgar notícias sobre violações aos direitos humanos, corrupção e protestos contra o governo chinês.

O 64 no título do site, cujo acesso é bloqueado na China, faz menção ao código pelo qual os chineses se referem ao Massacre na Praça da Paz Celestial, que completou 30 anos no último dia 4 de junho.

O dissidente está preso desde 2016, pouco após receber o prêmio Repórteres sem Fronteiras (RSF)- TV5 Le Monde de Liberdade de Imprensa . Huang tem problemas cardíacos, nos rins e pressão alta. Seu frágil estado de saúde faz com que defensores dos direitos humanos questionem as consequências do encarceramento.

"Esta decisão é equivalente a uma sentença de morte, considerando que as condições de saúde de Huang Qi já deterioraram após uma década de confinamento", disse o secretário-geral dos Repórteres sem Fronteira, Christophe Deloire, à BBC .

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Prisões consecutivas

Huang Qi, que já havia recebido a mesma homenagem do RSF em 2004, foi condenado à prisão pela primeira vez em 2000. Na ocasião, foi o primeiro opositor chinês a receber uma pena de prisão por utilizar a internet para fins políticos.

Em 2009, Huang foi condenado novamente, desta vez a três anos de prisão, depois de denunciar o mau estado de construção das escolas que desabaram após o terremoto de Sichuan, em 2008, que deixou cerca de 87 mil mortos.

Em 2014, ele foi preso novamente, após o 64 Tianwang noticiar o caso de uma mulher que tentou ater fogo no próprio corpo na Praça da Paz Celestial, no mesmo dia em que o Congresso Nacional do PC chinês daquele ano teria início.

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Em dezembro de 2018, um grupo de especialistas em direitos humanos das Nações Unidas fez um pedido para que Huang fosse solto e recebesse compensação do governo chinês. Segundo os Repórteres sem Fronteiras, mais de 114 jornalistas estão detidos na China .