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Homens lançaram bombas de gás lacrimogêno contra os participantes

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Reprodução/Twitter
Protestantes no aeroporto de Hong Kong

A polícia de Hong Kong reprimu duramente, neste sábado (27), a concentração de um protesto em Yuen Long, perto da fronteira com a China, que havia sido proibido pelas autoridades. Várias redes de televisão transmitiram imagens mostrando os agentes jogando gás lacrimogêneo contra uma multidão em Yuen Long, depois de alguns momentos de tensão, em que alguns participantes jogaram objetos contra os policiais e cercaram um carro da polícia.

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A marchaem Hong Kong foi convocada porque, no último domingo (21), vários homens suspeitos de pertencerem a uma gangue atacaram manifestantes pró-democracia na mesma região. As autoridades decidiram proibir o protesto, sob a alegação de que havia o risco de os manifestantes atacarem os moradores locais.

Os ataques da gangue aconteceram, na noite do último domingo, na estação de trem de Yuen Long. Manifestantes que voltavam para casa foram atacados por um grupo que vestia roupas brancas e portava barras de metal. Mais de 45 pessoas ficaram feridas, incluindo jornalistas e um legislador pró-democracia.

Especula-se que os agressores façam parte da Tríade, máfia chinesa, em atividade no país desde o século XVI. Imagens transmitidas no Facebook mostraram os suspeitos fugindo do local em veículos que tinham placas da China continental. O ataque alimentou o medo de que tais grupos comecem a interferir na crise política, agravando-a ainda mais.

Na manifestação deste sábado, pedras e garrafas foram jogadas na polícia por manifestantes, que também estavam construindo barricadas com móveis de rua e guarda-chuvas. A polícia respondeu com gás lacrimogêneo. "Eu esqueci meu guarda-chuva, então eu tive que comprar essa raquete de badminton... só para proteção pessoal", disse um jovem mascarado e com capacete, que se recusou a dar seu nome ou idade quando foi para a linha de frente.

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O manifestante acrescentou que muitos dos que marcharam não queriam ficar até tarde, dizendo que Yuen Long era muito perigoso para eles depois de escurecer. "Eles estão contra o povo", disse um manifestante chamado Kevin, de camiseta vermelha, sobre a polícia no início da tarde, enquanto estava em frente à delegacia, segurando seus portões. "Eles deliberadamente deixaram as tríades agredirem os manifestantes para se vingarem de nós... Estamos aqui para lhes dar uma lição". 

Mais de mil pessoas já haviam ocupado aeroporto de Hong Kong, nesta sexta-feira, e m protesto pró-democracia contra a China e o governo do território, vinculado a Pequim. O ato foi motivado por suspeitas de que polícia teria agido em conluio com Tríades , tradicionais gangues chinesas de crime organizado, em episódios de violência contra manifestantes registrados no domingo.

Pró-democracia

As manifestações, que já levaram mais de 2 milhões de pessoas às ruas de Hong Kong, começaram em repúdio a uma polêmica  lei de extradição  que permitiria o envio de pessoas para serem julgadas na China — medida que os opositores temiam ser utilizada para fins políticos. Lam  anunciou a suspensão  da lei, afirmando que a medida está "morta" e não voltaria a ser discutida durante seu mandato.

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Desde então, no entanto, os protestos em Hong Kong ganharam novas demandas que desafiam a influência da China no território: pedem a renúncia de Lam, uma investigação independente sobre os abusos policiais contra manifestantes, a libertação dos detidos durante os atos, que  os protestos não sejam designados como "motins  e uma reforma política que garanta o sufrágio universal para a escolha do chefe do Executivo — hoje, só o Parlamento local é escolhido pelo voto direto.