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Presidente Tabaré Vázquez, seu sucessor pela Frente Ampla, tem se esquivado sobre o tema

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Reprodução/Youtube
Pepe Mujica fala sobre a situação na Venezuela

O ex-presidente uruguaio, José Pepe Mujica , reconheceu que há uma ditadura na Venezuela após uma reunião com militantes do Movimento de Participação Popular (MPP), que integra a Frente Ampla, coalizão de esquerda que governa o país há três mandatos. Com as declarações, neste domingo, Mujica se afasta do governo do atual presidente Tabaré Vázquez , seu sucessor, que esteve no centro das críticas nos últimos meses sobre sua posição dúbia sobre a crise venezuelana.

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— É uma ditadura, sim. Na situação atual não há nada além de ditadura. Mas há ditadura na Arábia Saudita, com um rei absoluto. Há ditadura na Malásia, onde matam 25 pessoas por dia. E na República Popular da China, o que me dizem? — disse o ex-presidente Mujica , criticando as ameaças de interferência externa no país.

Além de Mujica, Daniel Martínez, candidato oficial pela Frente Ampla , também se manifestou pela primeira vez sobre o caso no Twitter.

“Para a esquerda, a questão dos direitos humanos deve sempre ser um imperativo ético”, disse o candidato. “O relatório de Bachelet é impecável sobre a Venezuela e é uma ditadura. Devemos continuar trabalhando em uma saída negociada e que o central sejam os venezuelanos”.

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Os dois se aproximam assim das declarações do atual ministro da Economia, Danilo Astori. Perguntado durante uma entrevista sobre a posição controversa do governo, que resiste em classificar o governo de Maduro de uma ditadura, ele foi enfátivo.

— Não me custa nada dizer: a Venezuela é uma ditadura. E é uma tremenda ditadura, com impactos humanitários muito sérios.

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O governo do Uruguai é um dos poucos na América Latina que não reconhece o deputado opositor Juan Guaidó como presidente interino da Venezuela e apoia o diálogo com Nicolás Maduro  . O país também não integra o Grupo de Lima , que reconhece a autoridade de  Guaidó  . Na última Cúpula do Mercosul , o país aceitou assinar o documento sobre a crise venezuelana que não citava o termo “ditadura”, e também não reconhecia Guaidó como presidente. 

Há um mês, o subsecretário de Relações Exteriores  Ariel Bergamino,anunciou a retirada de seu país da 49ª Assembleia Geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), realizada em Medellín, na Colômbia por rejeitar a discussão sobre o nível de participação do representante de Guaidó.