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Governo confirmou a informação; as especulações de que as verbas seriam redirecionadas para Guaidó e aliados vieram à tona no início da semana

Juan Guaidó em discurso para apoiadores da oposição venezuelana arrow-options
Reprodução/Twitter Juan Guaidó
Juan Guaidó se autoproclamou presidente interino da Venezuela e foi reconhecido por 50 países

O governo americano confirmou nesta quarta-feira (17) que pretende redirecionar fundos de seus programas humanitários na América Central para a oposição venezuelana, liderada por Juan Guaidó, informou o jornal britânico Financial Times . O anúncio vem quatro meses depois de a Casa Branca suspender a ajuda financeira para El Salvador, Guatemala e Honduras até que os três países aumentem seus esforços para impedir a migração.

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Conhecidos como o Triângulo Norte da América Central, os países que receberiam o dinheiro que será destinado à oposição venezuelana estão no centro da crise migratória que o governo americano busca combater, em que milhares de pessoas que fogem da pobreza, violência e corrupção atravessam o México e tentam atravessar a fronteira sul  dos Estados Unidos .

Na ocasião do cancelamento do auxílio aos países centro-americanos, Washington havia dito apenas que os fundos iriam para "outras prioridades de política externa ". Ontem, contudo, a Agência para o Desenvolvimento Internacional dos EUA (Usaid, na sigla em inglês), confirmou que o dinheiro será usado para "apoiar a Assembleia venezuelana legitimamente eleita e o presidente interino Juan Guaidó" e para "expandir a boa governança, promover a mídia independente, a liberdade de informação, a assistência à sociedade civil e organizações defensoras dos direitos humanos".

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Especulações sobre o novo destino das verbas americanas vieram à tona na terça-feira, quando o jornal californiano Los Angeles Times , citando fontes e um memorando, divulgou que o governo de Donald Trump planejava redirecionar US$ 41,9 milhões inicialmente destinados a Guatemala e Honduras.

O memorando diz que o dinheiro será usado para salários, passagens aéreas, propaganda, assistência técnica para eleições e treinamento de "boa gestão" para o líder da oposição venezuelana, Juan Guaidó , e seu grupo, informou o jornal. Segundo um assessor do Congresso americano citado pelo LA Times , os EUA estavam "essencialmente tirando o dinheiro que ajudaria pobres crianças centro-americanas para pagar o salário de Guaidó e seus funcionários".

Representantes do governo de Guaidó, entretanto, afirmam que todo o financiamento da oposição venezuelana vem de doações, de seus próprios bolsos e dos "esforços das pessoas que trabalham voluntariamente e da sociedade civil".

"Não há nada secreto, nada obscuro", disse ao Financial Times Ricardo Hausmann, representante de Guaidó no Banco de Desenvolvimento Interamericano.

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Guaidó invocou a Constituição venezuelana em janeiro para se autoproclamar presidente interino do país, argumentando que o segundo mandato de Nicolás Maduro é ilegítimo. Além da oposição venezuelana , ele foi reconhecido por 50 países, incluindo o Brasil, mas Maduro continua no poder.