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“Fim do pesadelo, sonho continua”, disseram ao conseguirem atracar; eles passaram três dias à deriva após um acidente quebrar o leme do barco

Neto e Lucas se abraçam no veleiro
Reprodução/Instagram
Neto e Lucas estão em segurança e planejam seguir viagem

Os irmãos brasileiros Celso Pereira Neto e Lucas Pereira compartilharam no perfil do veleiro Katoosh no Instagram como foram os momentos finais da agonia que passaram em alto mar. Apesar do sufoco, eles não pensam em desistir do sonho de dar a volta ao mundo no barco.

Eles estavam na região da Polinésia Francesa quando, na última quarta-feira (3), um acidente  quebrou o leme do veleiro Katoosh , deixando-os à deriva por três dias. Neto e Lucas conseguiram manter contato com parentes por meio de um telefone via satélite.

Inicialmente, o plano era esperar o mau tempo passar, o que estava previsto para a última sexta-feira (5), para trocar o leme e seguir viagem. No entanto, a  previsão do tempo mudou e eles tiveram que seguir um plano b. Entraram em contato com um casal de velejadores brasileiros que vive na região e eles indicaram um local onde poderiam tentar atracar.

Para chegar ao local indicado, no entanto, os irmãos teriam que contar com a ajuda de outro barco para passar por uma passagem. Ao chegarem na entrada desta passagem, eles fizeram contato por rádio com outras embarcações, mas tiveram a ajuda negada.

Desanimados com a falta de solidariedade, Celso e Lucas pensavam uma forma de navegar até o Tahiti, onde poderiam fazer os reparos no barco. Nesse meio tempo, colocavam despertador de hora em hora para se lembrarem de beber água, comer e avisar os parentes que estavam bem. “Precisávamos cuidar da nossa saúde física e da saúde mental de quem estava aflito por nós”, contaram em uma publicação no Instagram.

Em um dos contatos que fizeram com os parentes e amigos, relataram que tiveram a ajuda negada. À distância, as pessoas resolveram então ajudar como podiam: enviaram inúmeras mensagens e e-mails às pessoas que haviam negado ajuda. A pressão funcionou e algum tempo depois os irmãos receberam um chamado no rádio oferecendo ajuda.

A essa altura, porém, o barco já havia passado muito da entrada do atol, onde queriam passar, e seria difícil voltar contra o vento. Resolveram tentar mesmo assim e conseguiram, mas ao chegar lá, três horas mais tarde, as pessoas que haviam entrado em contato disseram que não poderiam mais ajudar.

Eles novamente começaram a derivar e perderam a entrada. O casal brasileiro com quem mantinham contato conseguiu um barco para rebocá-los, mas eles teriam que mais uma vez navegar contra o vento para voltar à entrada do atol. 

Quando finalmente chegaram ao ponto ideal, já estava anoitecendo e eles tinham perdido o horário ideal para fazer a passagem. Resolveram tentar mesmo assim, mas o catamarã que veio rebocá-los estava tendo muita dificuldade, principalmente em função das condições do mar, que estava revolto. 

“O pior e mais perigoso momento de todos os dias à deriva , sem dúvida nenhuma”, relataram os irmãos. Os esforços deram certo e apesar das dificuldades, conseguiram passar e logo ligaram para os pais para tranquilizá-los,

“Escutar nossos pais gritando, explodindo de felicidade do outro lado da linha, é uma sensação impossível de descrever”, relataram. “Choramos juntos, nós quatro ao telefone. Lágrimas de alívio e felicidade. Nós aqui e eles lá do outro lado do mundo estivemos mais próximos do que nunca”.

Sonho continua

Neto e Lucas tiram selfie no veleiro Katoosh
Reprodução
Eles conseguiram salvar o veleiro Katoosh para continuar a expedição

Mesmo com todos os problemas, Celso e Lucas não pensam em encerrar a viagem. Segundo eles, o pesadelo acabou, mas “o sonho continua”. “Estamos mais empolgados que nunca”, contaram.

Agora eles precisam reparar os danos no veleiro para conseguir navegar até o Tahiti, que está a mais de 400 km de distância. O local onde conseguiram atracar, no entanto, não tem grande estrutura e alguns consertos terão que ser improvisados. 

Neto e Lucas Pereira saíram de Ubatuba, no litoral de São Paulo, em março de 2018 para uma viagem de volta ao mundo. Eles agora Neto, de 26 anos, e Lucas, de 23, são a tripulação brasileira mais jovem em uma volta ao mundo de veleiro. Eles  compartilham a expedição no perfil do veleiro Katoosh no Instagram.