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Entre os soltos, estão uma juíza, jornalista e 20 estudantes; libertações foram solicitadas por Bachelet, Alta Comissária da ONU para os Direitos Humanos

Nicolás Maduro
Reprodução/Twitter/NicolasMaduro
Nicolás Maduro, presidente da Venezuela

O governo de Nicolás Maduro libertou, nesta sexta-feira (5), 22 presos políticos . Entre eles, estão a juíza María Afiuni e o jornalista Bráulio Jatar, segundo informações confirmadas pela Alta Comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, a ex-presidente chilena Michelle Bachelet . Segundo a ONU, esta leva de libertações foi uma exigência que a alta comissária fez a Maduro. As autoridades venezuelanas não comentaram sobre o assunto.

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"A bem-vinda libertação de 62 detidos em junho, junto a mais 22 libertados ontem, incluindo o jornalista Bráulio Jatar e a juíza María Lourdes Afiuni, e a aceitação por parte das autoridades de dois dirigentes de direitos humanos no país significam o início de um engajamento positivo nas muitas questões de direitos humanos", disse Bachelet a respeito do governo Maduro .

A representante da ONU publicou as identidades dos 22 ex-detentos durante uma conversa com jornalistas sobre o relatório divulgado na véspera , referente à situação da Venezuela . O documento foi elaborado após uma visita que a ex-presidente do Chile e investigadores das Nações Unidas fizeram à Caracas há duas semanas.

María Afiuni foi presa sem mandato em 2009, após o ex-presidente criticar seu veredito que soltava o empresário Eligio Cedeño, suspeito de corrupção. A juíza foi acusada pelos procuradores de receber suborno para libertar Cedeño — alegações rejeitadas pela defesa, que afirma que a libertação do réu aconteceu porque ele esperava um julgamento há mais tempo do que o permitido pela lei.

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Michelle Bachelet
UN Photo/Violaine Martin
Alta Comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, a ex-presidente chilena Michelle Bachelet

Mais tarde, Afiuni afirmou ter sido estuprada na prisão. Líderes chavistas classificaram o suposto ataque como tentativa da juíza conseguir apoio popular, mas ela acabou sendo colocada em prisão domiciliar. Em março, foi condenada a uma pena de cinco anos.

Segundo a agência Reuters , um advogado que representa a juíza disse em uma entrevista por telefone que a ONU ligou para saber se ela estava livre, mas que não houve nenhum comunicado oficial.

O repórter Bráulio Jatar, detido após publicar uma matéria sobre os protestos contra o regime chavista, era oficialmente acusado de lavagem de dinheiro. Um porta-voz da ONU disse à Reuters que as outras 20 pessoas soltas nesta semana são estudantes.

Divulgado na quinta-feira (4), o informe da ONU acusa o governo de Nicolás Maduro de “tentar neutralizar, reprimir e criminalizar a oposição política e quem critica o governo”.

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Outras denúncias do relatório, celebrado por ativistas de direitos humanos, incluem o “aumento surpreendente” de execuções extrajudiciais supostamente cometidas pelas forças de segurança, a gradual militarização das instituições do Estado e as detenções arbitrárias e maus-tratos a críticos do governo de Maduro , incluindo a tortura.