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ONU classificou o ataque como "crime de guerra" e denunciou participação de guardas líbios que teriam tentado impedir refugiados de fugir dos ataques

Escombros de centro de migrantes bombardeado
Reprodução/Twitter Vincent Cochetel
Ataque a centro de migrantes na Líbia aconteceu na última terça-feira (2)

Pode chegar a 100 o número de mortos em um ataque contra um centro de migrantes em Tajoura, em Trípoli, na Líbia. Outras 80 pessoas estariam desaparecidas ainda, de acordo com a imprensa internacional. 

A Organização das Nações Unidas(ONU) classificou o ataque como um "crime de guerra". O enviado da ONU para a Líbia, Ghassan Salamé, afirmou que o  atentado ao centro de migrantes  "claramente constitui um crime de guerra, já que matou inesperadamente pessoas inocentes cujas condições forçavam-nas a estar naquele abrigo".

Além disso, a ONU também disse ter informações de que guardas líbios atiraram em refugiados e migrantes que tentavam fugir dos ataques aéreos no centro de detenção de imigrantes deTajoura, nos arredores de Trípoli. 

Um relatório humanitário divulgado pelo Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (Ocha) afirma que foram realizados dois ataques aéreos que atingiram uma garagem desocupada e um hangar, onde estavam cerca de 120 refugiados e imigrantes. "Temos informações de que, após o primeiro ataque, os guardas atiraram em alguns refugiados e migrantes que tentavam escapar", diz o relatório.

Corpos ainda estão sendo recuperados dos destroços e o número de mortes ainda pode aumentar.

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Segundo a ONU, ainda há cerca de 500 pessoas no centro de detenção. Quatro nigerianos deverão ser entregues à sua embaixada e 31 crianças e mulheres serão enviadas para instalações do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (Acnur) em Trípoli.

A Líbia é o principal ponto de partida para as milhares de pessoas que arriscam a vida para atravessar o Mediterrâneo todos os anos. Na terça-feira (2), o secretário-geral da ONU, Antonio Gutérres, pediu uma investigação independente sobre o ocorrido e o enviado das Nações Unidas na Líbia, Ghassan Salame, afirmou que o ataque “claramente chega a um nível de crime de guerra”. "O absurdo dessa guerra atingiu seu resultado mais odioso e mais trágico com esse massacre sangrento e injusto", afirmou.

O centro de detenção de Tajoura fica dentro de um quartel militar e acolhe atualmente 620 migrantes presos. Há na Líbia 25 centros oficiais de detenção, onde estão 5.695 pessoas, a maioria da África subsaariana. Deles, 2.433 se encontram em Trípoli, segundo o Alto Comissariado da ONU para Refugiados (Acnur). 

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Muitos estão há meses, ou em alguns casos mais de dois anos, detidos ali, à espera de que o Acnur os encaminhe a países de acolhida no Ocidente. A lei líbia considera crime a tentativa de entrar ou sair irregularmente do seu território. Em 2017, a Itália e outros países europeus passaram a financiar a Guarda Costeira líbia para que ela capturasse os migrantes que tentam cruzar o Mediterrâneo antes  que eles alcancem águas internacionais.