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Líder supremo do Irã, Ali Khamenei diz que governo não vai ceder, chama sanções de insultos; e tentativas americanas de negociação de "enganação"

Donald Trump
Flickr/The White House
Trump disse que espera que não haja um confronto militar

O presidente americano, Donald Trump, disse nesta quarta-feira (26) que um possível conflito com o Irã "não duraria muito tempo" e afirmou que não prevê uma invasão do país persa. Horas antes, respondendo às sanções anunciadas na segunda-feira, o aiatolá Ali Khamenei, líder supremo do país persa, disse que não pretende ceder aos "insultos" de Washington e chamou as tentativas americanas de negociação de "enganação".

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"Eu espero que não haja um confronto militar, mas nós estamos em uma posição bastante forte caso isso aconteça", disse Donald Trump , em entrevista à Fox News . "Eu não estou falando em uma invasão... Só estou dizendo que, caso algo aconteça, não vai durar muito tempo".

Na segunda-feira, o ocupante da Casa Branca impôs uma série de novassanções contra o Irã que incluem o congelamento dos bens de Khamenei e a proibição de sua entrada nos Estados Unidos. As medidas terão impacto limitado, já que o líder supremo não viaja para fora do país desde 1989 e empresas ligadas a sua família não têm acesso aos serviços bancários internacionais. Nesta quarta-feira, Khamenei declarou que pretende resistir às pressões de Washington:

"Os funcionários mais terríveis do governo americano acusam e insultam o Irã. A nação iraniana não vai ceder e se recolher frente a tantos insultos", disse Khamenei, em seu site oficial. "Negociações são uma enganação para o que eles querem de verdade. Uma arma está em suas mãos e eles não se atrevem a chegar perto. Eles dizem 'solte a arma para que eu possa fazer o que quiser com você'. Isso não é negociação".

A ordem executiva de Trump inclui restrições aos comandantes daGuarda Revolucionária que também não terão grandes efeitos práticos, já que o grupo foi classificado como uma organização terrorista por Washington em abril e, desde então, seus membros estão proibidos de entrar nos Estados Unidos e de fazer negócios com os americanos.

As imposições mais recentes foram ironizadas pela alta cúpula do governo iraniano por sua ineficiência, com o presidente Hassan Rouhani chamando a administração de Trump de "mentalmente incapaz ". Em resposta, Trump disse que um ataque do país persa "a qualquer coisa americana" seria respondido com a "destruição" de partes do Irã.

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A troca de comentários é o episódio mais recente da escalada das tensões entre os Estados Unidos e Irã. A relação historicamente complicada piorou na quinta-feira passada, quando um drone de espionagem americano foi derrubado pelo Irã depois de supostamente invadir o espaço aéreo do país. Em resposta, Trump autorizou um bombardeio no Irã, que o presidente alega ter cancelado dez minutos antes de seu início.

A crise entre Washington e Teerã gira em torno do acordo nuclear assinado em 2015, no qual o Irã se comprometia a limitar seu programa nuclear em troca do alívio das sanções econômicas. Em maio de 2018, Donald Trump retirou os Estados Unidos do tratado e voltou a impor sanções ao país persa. As restrições já tiveram efeito devastador na economia iraniana: as exportações de petróleo do país persa reduziram o volume vendido de 2,5 milhões de barris em 2015 para 300 mil barris neste mês de junho.

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Na manhã desta quarta-feira, Behrouz Kamalvandi, porta-voz da Organização Iraniana de Energia Atômica reiterou que a partir desta quinta-feira o Irã ultrapassará o limite de seu estoque de urânio enriquecido estabelecido pelo acordo nuclear. Segundo Kamalvandi, a violação do tratado poderia ter sido evitada caso os países europeus signatários tivessem agido para bloquear os efeitos das sanções americanas. De acordo com Teerã, seu programa atômico tem fins puramente energéticos e o país não tem quaisquer pretensões de construir armas nucleares.  

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