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Crime era parte de plano para expulsar muçulmanos da Caxemira; área tem maioria islâmica e, há 7 décadas, é palco de tensões históricas com Paquistão

Protesto na Índia
Reprodução/Twitter
Caso da menina de oito anos ilustrou o aterrorizante recorde de violência contra mulheres e crianças na Índia

Um tribunal no norte da Índia condenou três homens à prisão perpétua, neste terça-feira (10), por estupraram e mataram uma menina muçulmana de 8 anos de idade. O caso gerou indignação e trouxe à tona, mais uma vez, a polarização religiosa no país.

A criança fazia parte de uma comunidade muçulmana nômade que vaga pelas florestas na região da Caxemira. A área tem maioria islâmica e, há sete décadas, é palco de tensões históricas entre a Índia e o Paquistão.

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Em janeiro de 2018, a menina foi drogada, mantida em cativeiro em um templo e abusada sexualmente por uma semana, antes de ser estrangulada e espancada com uma pedra até a morte.

A legenda nacionalista hindu que governa o país, o Partido do Povo Indiano (BJP), foi criticada após alguns de seus membros defenderem que o caso fosse tirado das mãos da polícia estadual e investigado por um órgão vinculado ao governo central.

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A estratégia foi percebida como uma tentativa de favorecer os acusados. Outros grupos nacionalistas hindus também defenderam os homens, alegando que estavam sendo culpados por um crime que não cometeram.

De acordo com o despacho de acusação, que totalizou 15 páginas, o crime era parte de um plano para expulsar a comunidade nômade da área. O caso também ilustrou o aterrorizante recorde de violência contra mulheres e crianças no país.

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" Esta é uma vitória da verdade", disse o advogado de acusação M Farooqi depois das sentenças. "A menina e sua família conseguiram justiça hoje."

Apesar de a promotoria pedir pena de morte para os criminosos, Deepak Khajuria, Parvesh Kamar e o sacerdote hindu Sanji Ram acabaram condenados à prisão perpétua . Eles também receberam multas de 150 mil rupias (cerca de US$2.150). Outros três homens, todos policiais, receberam penas de cinco anos de prisão por destruírem provas.