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Divisa seria criada com o objetivo de dar previsibilidade aos investimentos, disse o diretor da União Industrial Argentina

Bolsonaro e Macri
Marcos Corrêa/PR
Bolsonaro disse que pretende avançar no projeto de uma moeda única com a Argentina

presidente Jair Bolsonaro e o ministro da Economia, Paulo Guedes, disseram aos empresários argentinos e brasileiros, reunidos nesta tarde em Buenos Aires, que o Brasil e a Argentina pretendem avançar com a proposta de criar uma moeda comum que se chamaria “peso real”.

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Segundo informações de fontes empresariais ouvidas pelo Globo, como os dois países estão alinhados politicamente, a tendência é alinhar as políticas macroeconômicas até chegar a moeda comum, uma proposta que já chegou a ser amplamente discutida em governos anteriores, mas que caminha para um desfecho com Bolsonaro .

Os empresários estavam ansiosos para saber qual seria a mensagem de Bolsonaro.

"Dois elementos nos preocupam, um de curto prazo, outro de longo prazo. O primeiro tem a ver com o fato de que qualquer desvalorização do real pode pressionar o mercado cambial argentino que está muito sensível", disse o diretor executivo da União Industrial da Argentina (UIA), Diego Coatz, que participou da reunião empresarial.

Para a UIA, o fraco desempenho da economia brasileira e a demora na aprovação da reforma da Previdência poderiam terminar em uma forte desvalorização da moeda brasileira.

O economista destacou que uma provável perda do valor do real em relação ao dólar pode ser respaldada pelas reservas do Banco Central , e isso ajudaria o setor exportador do Brasil.

Porém, qualquer movimento brusco do real pode provocar impacto muito negativo na economia argentina, atuando sobre os preços locais. 

"Claramente um dos temas que mais nos preocupa é isso, porque a Argentina precisa de previsibilidade cambial", afirmou Coatz.

Em relação ao longo prazo, o economista disse que a UIA gostaria de ver a relação regional evoluindo no sentido de retomar a agenda de integração produtiva e de coordenação macroeconômica.

Esse alinhamento deveria levar a uma moeda comum para dar previsibilidade aos investimentos, segundo a opinião dele.

"Para nós é importante ter uma maior coordenação de política monetária, cambiaria e fiscal", disse ele, completando que há temor entre os empresários sobre mudanças no Brasil que possam afetar a economia argentina.

"Qualquer mudança em áreas sensíveis tem que ser muito articulada, tomada com cautela e com negociação", opinou, com temor de medidas unilaterais.

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O assunto será discutido com maior profundidade entre os empresários de ambos os países durante um encontro marcado para o próximo mês entre a UIA e sua equivalente brasileira, a Confederação Nacional da Indústria (CNI), no âmbito do Conselho Empresarial Brasil -Argentina (CEMBRAR). A Argentina é o terceiro sócio comercial do Brasil, atrás somente dos Estados Unidos e da China.