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Brasil pretende resistir a protocolo adicional de tratado de não proliferação nuclear, de acordo com fonte que integra o círculo mais íntimo de Bolsonaro

Bolsonaro e Macri
Marcos Corrêa/PR - 6.6.19
Bolsonaro e Macri discutem na Argentina pressões dos EUA por concessão nuclear

Os presidentes Jair Bolsonaro (PSL) e Mauricio Macri conversaram profundamente sobre as pressões que enfrentam Brasil e Argentina por parte dos Estados Unidos para assinar um Protocolo Adicional do Tratado de Não Proloferação Nuclear (TNP). Segundo disse ao jornal O Globo uma alta fonte da delegação brasileira, “os dois chefes de Estado concordaram que é necessário resistir a estas pressões”.

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As pressões dos americanos, aacrescentou a fonte, buscam “conseguir que Brasil e Argentina permitam um maior grau de fiscalização por parte dos EUA em matéria de instalações atômicas nos dois países”. "Vamos resistir", frisou a fonte, que integra o círculo mais íntimo de colaboradores e assessores de Bolsonaro .

O protocolo adicional que pretende a Casa Branca busca, justamente, que sejam autorizadas pelos dois governos inspeções mais abrangentes por parte dos países signatários. O tema foi mencionado rapidamente pelo presidente brasileiro na declaração conjunta que deu ao lado de Macri , na Casa Rosada.

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Brasil e Argentina têm desde os anos 1990 um mecanismo bilateral de inspeções mútuas, a Abacc (Agência Brasileiro-Argentina de Controle e Contabilidade de Materiais Nucleares). O argumento tradicional dos dois países é que essas inspeções já reforçam as que são feitas pela Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).

O Livro Branco da Defesa, aprovado no governo Lula, diz que o Brasil não vai aderir ao Protocolo Adicional enquanto as potências atômicas não cumprirem sua parte do TNP e começarem a se desarmar.

Quando Eduardo Bolsonaro visitou Buenos Aires há um mês , fez uma palestra no centro de estudos Cari na qual o ex-chanceler Adalberto Rodríguez Giavarini criticou uma possivel revisao do tratado que criou a Abacc. Ele disse que qualquer mudança deveria ser feita com muita cautela porque o tratado é uma referência mundial e uma conquista dos dois países.