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Presidente norte-americano foi recebido com manifestações desde quando chegou ao país; Trump classificou os protestos como "fake news"; entenda

Trump
Reprodução/The Independent
Manifestantes levaram boneco de Trump sentado em um vaso sanitário

Milhares de manifestantes tomaram as ruas da capital britânica e de mais de dez cidades ao redor do Reino Unido nesta terça-feira (4) em protesto contra a visita oficial de Donald Trump ao país. Desde segunda-feira, quando Trump desembarcou para a visita de três dias, acontecem manifestações contrárias à sua viagem, mas o protesto mais volumoso aconteceu em paralelo ao  encontro do presidente com a primeira-ministra demissionária Theresa May . 

"É muito vergonhoso que o nosso governo tenha convidado esse idiota fascista de novo para este país e esteja dando a ele uma recepção real, estendendo o tapete vermelho, organizando jantares e o conquistando com o dinheiro dos contribuintes" disse Ruby Lawson, de 38 anos, ao New York Times .

 Apesar da presença de dezenas de milhares de pessoas nas ruas, o número de manifestantes foi menor do o registrado durante a visita de Trump a Londres no ano passado. Perguntado sobre os protestos em entrevista coletiva que deu com a premier britânica, o presidente classificou-os como "fake news":

"Milhares de pessoas estavam celebrando nas ruas e até vindo para cá, onde há milhares de pessoas comemorando, e depois eu ouvi que havia protestos. Eu disse 'cadê os manifestantes?'", disse o presidente. "Eu não vi nenhum manifestante até agora, e era um número muito, muito pequeno de pessoas colocadas lá por razões políticas, então é fake news".

A maior concentração aconteceu na praça Trafalgar Square, um dos principais pontos turísticos de Londres. Os organizadores, que chamam o evento de "carnaval da resistência", esperam a participação de dezenas de milhares de pessoas, entre elas ativistas ambientais, estudantes, pacifistas e membros de movimentos sociais e sindicais. Segundo a polícia, mais de 3 mil homens e mulheres garantiram a segurança da região e do líder americano. 

"Trump é um homem ignorante de 70 anos que teve uma vida de privilégios ", afirmou Anna Fenton, de 23 anos, que disse querer demonstrar solidariedade "às pessoas que foram feridas pela linguagem e pelas políticas" do republicano.

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Símbolo dos protestos contra o americano no ano passado, o  "Trump bebê" de borracha, disputado por diversos museus que querem adquiri-lo para suas coleções, voltou às ruas de Londres. Um segunda instalação artística, de um boneco do presidente tuitando sentando em um vaso sanitário de ouro, também ganhou destaque.

Segundo o The Independent , a obra de quase cinco metros emite sons de gases e repete algumas das frases mais famosas do presidente como "caça às bruxas", "eu sou um gênio muito estável" e "você é fake news".


Polêmica com Corbyn

Jeremy Corbyn, líder do Partido Trabalhista que boicotou o banquete oficial oferecido na segunda-feira pela rainha Elizabeth II a Trump, participou dos atos junto com liberais-democratas e membros do Partido Verde.

Em discurso, Corbyn criticou as políticas ambientais e de imigração do governo americano, exaltou a diversidade dos manifestantes e criticou os movimentos nacionalista de extrema direita.

"Eu digo para os visitantes que chegaram nesta semana, por favor, pensem em um mundo de paz e desarmamento, que reconheça os valores de todas as pessoas. Um mundo que derrote o racismo, a misoginia, derrote o ódio religioso que é fomentado pelos grupos de extrema direita na política britânica, na Europa e nos Estados Unidos". 

Na entrevista coletiva na manhã desta terça-feira, Trump chamou Corbyn de "força negativa". "Eu não conheço Jeremy Corbyn, nunca me encontrei com ele e nunca falei com ele. Ele queria se reunir comigo hoje ou amanhã e eu disse que não faria isso", disse o presidente.

O líder trabalhista já havia comentado a visita de Trump ontem, via Twitter. "Os protestos contra a visita de Estado são uma oportunidade de se posicionar em solidariedade aqueles que Trump ataca nos Estados Unidos, pelo mundo e em nosso país — incluindo, nesta manhã, Sadiq Khan", disse.

Corbyn se referia ao prefeito de Londres, Sadiq Khan, que publicou um artigo no final de semana no jornal The Observer comparando Trump aos "fascistas do século XX". O prefeito, do Partido Trabalhista, incluiu o americano no mesmo grupo dos extremistas de direita Viktor Orbán, da Hungria, Matteo Salvini, da Itália, Marine Le Pen, da França, e o próprio Nigel Farage, líder do Partido do Brexit.

Trump  respondeu via Twitter, antes mesmo de desembarcar em Londres. "Sadiq Khan, que faz um péssimo trabalho como prefeito de Londres, tem sido insensatamente 'desagradável' com o presidente dos Estados Unidos, de longe o aliado mais importante do Reino Unido", escreveu. "Ele é um fracassado total que deveria se concentrar no crime em Londres, não em mim".

Em sua entrevista coletiva na manhã desta terça-feira, Trump comentou novamente o assunto, afirmando que Khan "não é um prefeito muito bom", criticando as taxas de crimes e a pobreza na capital britânica.

Logo em seguida, à rede de televisão Sky News , o político trabalhista disse que o presidente é um "garoto propaganda da extrema direita".