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"Theresa May está certa em renunciar. Agora, ela aceitou o que o país sabe há meses: que ela não pode governar", afirmou Jeremy Corbyn no Twitter

Theresa May
Divulgação
Líder do Partido Trabalhista britânico afirmou que May "está certa ao renunciar"

O líder do Partido Trabalhista britânico, Jeremy Corbyn, pediu novas eleições no Reino Unido nesta sexta-feira, seguindo-se à  renúncia de Theresa May ao cargo de primeira-ministra.

No Twitter, Corbyn disse que "Theresa May está certa ao renunciar". "Ela agora aceitou o que o país sabe há meses: ela não pode governar, assim como seu partido dividido e desintegrado também não pode", acrescentou. "Quem quer que se torne o novo líder conservador deve deixar as pessoas decidirem o futuro do nosso país, por meio de eleições gerais imediatas".

Depois de meses de impasse provocado pela saída do Reino Unido da União Europeia , a primeira-ministra britânica, Theresa May, anunciou nesta sexta-feira que deixará o cargo para que o Partido Conservador possa escolher um novo líder que será responsável por concretizar o Brexit , algo que ela não conseguiu fazer.

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Na terça-feira, May apresentou um plano de "última chance" para tentar recuperar o controle do processo de Brexit, incluindo um segundo referendo. A tentativa foi em vão: o texto foi mais uma vez alvo de críticas, tanto da parte da oposição trabalhista quanto pelos eurocéticos do seu partido, resultando assim na renúncia , na quarta-feira, de sua ministra das Relações com o Parlamento, Andrea Leadsom.

O projeto de lei, que Theresa May deveria fazer votar na semana de 3 de junho, não foi incluído no programa legislativo anunciado ontem pelo governo aos deputados.

O plano previa uma série de compromissos, incluindo, além da possibilidade de votar num segundo referendo, a continuação de uma união aduaneira temporária com a UE, numa tentativa de reunir a maioria dos deputados.

Mas, deixando de lado algumas promessas feitas no início do processo, Theresa May enfureceu os eurocéticos do seu campo, enquanto a saída de Andrea Leadson acabou de vez com a autoridade de May, que viu partir cerca de trinta membros de seu governo ao longo dos meses.

A tarefa de desfazer mais de 40 anos de laços com a UE não era fácil, ressalta Simon Usherwood, cientista político da Universidade de Surrey, entrevistado pela AFP.

"Tentei três vezes, não fui capaz", ela afirmou, em referência a suas tentativas de fazer o Parlamento aprovar o acordo de saída da União Europeia,  em pronunciamento gravado em frente à sua residência oficial em Londres, o número 10 de Downing Street.

May deverá permanecer no cargo até 7 de junho.

"Acreditei que era correto perseverar, inclusive quando as possibilidades de fracassar pareciam elevadas, mas agora me parece claro que, para o interesse do país, é melhor que um novo primeiro-ministro lidere este esforço", afirmou em um discurso para a imprensa.

Sua voz falhou quando terminou sua breve declaração proclamando seu "amor" por seu país, antes de virar as costas para as câmeras e voltar para casa.

May continuará no cargo para receber o presidente dos Estados Unidos, que realizará uma visita de Estado ao Reino Unido de 3 a 5 de junho.

O mandato de Theresa May, cheio de adversidades, críticas e até mesmo conspiração dentro de seu próprio partido, entrará para a História como um dos mais curtos na Grã-Bretanha desde a Segunda Guerra Mundial.

Antes de assumir o cargo, seu sucessor terá que ser eleito para o cargo de líder do Partido Conservador, e depois oficialmente nomeado chefe de Governo pela rainha Elizabeth II.

O ex-ministro das Relações Exteriores Boris Johnson, líder dos defensores do Brexit, está entre os favoritos para substituí-la.

Theresa May assumiu o Executivo em julho de 2016, pouco depois de os britânicos votarem 52% a favor do Brexit no referendo de 23 de junho de 2016, sucedendo David Cameron.

Mas esta filha de pastor de 62 anos, ex-ministra do Interior, não conseguiu convencer uma classe política profundamente dividida sobre a saída da UE.

O acordo de divórcio, que ela negociou amargamente com Bruxelas, foi rejeitado três vezes pelos deputados, forçando o Executivo a adiar o Brexit até 31 de outubro, quando estava planejado para o dia 29 de março, e organizar eleições europeias.

A votação europeia, realizada na quinta-feira no Reino Unido, anuncia-se calamitosa para os tories, que deverão amargar um humilhante quinto lugar (7%), 30 pontos atrás do Partido do Brexit do eurofóbico Nigel Farage, segundo pesquisa YouGov.

O  fracasso das negociações sobre o Brexit com a oposição trabalhista agravou a situação de May.

A principal legenda de oposição do país tentava, há um mês e meio, articular com os governistas conservadores uma saída para o impasse no acordo da saída do Reino Unido da União Europeia (UE),  rejeitado três vezes pelo Parlamento  do país.

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