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Tribunal Supremo de Justiça aumentou de sete para dez a lista de deputados que poderão ser levados à Justiça por apoiarem o levante de Juan Guaidó

Juan Guaidó faz discurso para multidão em Caracas
Reprodução/Twitter Juan Guaidó
Juan Guaidó convocou manifestações para derrubar Maduro do poder na Venezuela

O Tribunal Supremo de Justiça (TSJ) da Venezuela elevou nesta quarta-feira (8) para dez o número de deputados opositores que podem levados a julgamento por apoiarem a fracassada tentativa de levante contra o presidente Nicolás Maduro liderada pelo presidente da Assembleia Nacional (AN), Juan Guaidó, na semana passada.

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Os parlamentares Freddy Superlano, Sergio Vergara e Juan Andrés Mejía se juntaram aos colegas Mariela Magallanes, Américo de Grazia, Henry Ramos Allup, Luis Florido, Simón Calzadilla, Richard Blanco e Édgar Zambrano na lista de acusados dos crimes de traição, conspiração e rebelião pelo seu envolvimento na ação de Guaidó , reconhecido como “presidente encarregado” da Venezuela por cerca de 50 países, entre eles o Brasil.

Zambrano, vice-presidente da AN, já tinha sido acusado pelo TSJ ainda na semana passada, enquanto os outros seis tiveram as acusações apresentadas pelo tribunal nesta terça. Todos sete tiveram sua imunidade parlamentar revogada pela todo-poderosa Assembleia Nacional Constituinte (ANC), também controlada pelos aliados de Nicolás Maduro , ainda na terça (7), e o mesmo deve acontecer com os três novos acusados. Com isso, já podem ser emitidas ordens para sua captura para serem levados a julgamento em tribunais ordinários.

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"Está agora nas mãos das autoridades competentes que se faça justiça", disse Diosdado Cabello, presidente da ANC e número dois do governo Maduro .

Diante disso, os deputados acusados começam a se salvaguardar de possíveis detenções. Mariela Magallanes, por exemplo, se refugiou na residência do embaixador da Itália em Caracas, onde receberá “proteção e hospitalidade em cumprimento das convenções diplomáticas”, disse em comunicado nesta quarta o chanceler italiano, Enzo Moavero Milanesi. Os demais também estão restringindo seus movimentos e aparições públicas para escaparem de eventual prisão.

"Tenho que tomar minhas precauções porque estamos falando não de um governo, mas de uma corporação criminal. Devemos ter senso de responsabilidade sem nos jogarmos ao heroísmo estúpido", destacou Américo de Grazia, que não descarta também pedir asilo.

Já Florido considerou que os parlamentares “podem fazer mais como deputados livres, ainda que em uma embaixada ou em resguardo, do que presos em um cárcere onde acabarão por nos torturar”.

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Enquanto isso, Guaidó reafirmou que não se deixará intimidar pelas últimas ações do governo Maduro e o Judiciário por ele controlado. "O medo não vai nos deter", disse à agência AFP durante viagem a La Guaira, 30 km ao Norte de Caracas. "Esta é a única estratégia que resta a um regime sem respostas para os cidadãos, só lhes resta gerar medo".