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Maioria foi detida em protestos contra governo de Nicolás Maduro, e quase 900 permanecem atrás das grades, informa a organização Foro Penal

protestos contra Maduro na Venezuela
Reprodução/Twitter
Maioria foi presa em protestos contra o governo de Maduro

Mais de 2 mil pessoas foram detidas por razões políticas na Venezuela ao longo deste ano, a maioria em meio aos protestos contra o governo do presidente Nicolás Maduro, informou nesta terça-feira (7) a organização de defesa dos direitos humanos Foro Penal. Ainda segundo a ONG, quase 900 delas permanecem presas. 

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"De 1º de janeiro a maio de 2019 ocorreram 2.014 detenções, principalmente de pessoas que participam de protestos", disse em coletiva de imprensa Alfredo Romero, diretor da Foro Penal, ONG crítica do governo Maduro na Venezuela . Segundo Romero, até esta data continuam presos 757 civis e cem militares.

Na última terça-feira (30) o líder opositor Juan Guaidó, reconhecido como presidente interino por cerca de 50 países, liderou um fracassado levante de um reduzido grupo de militares, que Maduro denunciou como uma tentativa de golpe de Estado. A cúpula militar da Venezuela apoiou o líder socialista, que prometeu ir atrás dos “traidores”. Pelo menos 25 militares que se rebelaram pediram asilo em embaixadas como a do Brasil.

No mesmo levante, o líder opositor Leopoldo López foi liberado da prisão domiciliar pelos sublevados. Diante do fracasso na tentativa de derrubar Maduro, López se refugiou na residência do embaixador espanhol em Caracas. De acordo com a Foro Penal, 338 civis e militares foram presos após a rebelião. "Ficaram privadas da liberdade 82 destas pessoas", acrescentou Romero.

A promotoria venezuelana contabiliza “aproximadamente 233 pessoas detidas” em relação ao levante, assim como cinco mortos durante as manifestações de oposicionistas em apoio à ação em protestos no dia seguinte, 1º de maio. O órgão judiciário venezuelano também solicitou a emissão de 18 ordens de captura contra “civis e militares conspiradores”.

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Fontes da oposição na Venezuela e do governo dos EUA afirmam que havia negociações entre a cúpula do regime de Maduro e a liderança opositora. As altas autoridades incluiriam o próprio ministro da Defesa, Vladimir Padrino; Maikel Moreno, o presidente da Suprema Corte; e Rafael Hernández Dala, comandante da Guarda Presidencial de Maduro. Mas a data original para o levante seria no dia 2 de maio. A antecipação para o dia 30 e a liberação de López teria minado a confiança dos revoltosos na oposição.