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Segundo a ONU, a tempestade que atingiu os países africanos foi a pior da história no hemisfério sul; 1,7 milhões foram afetados em Moçambique

Grande parte de Moçambique está alagada e sem comunicações em função da passagem do ciclone Idai
Reprodução/Facebook presidente Filipe Nyusi
Grande parte de Moçambique está alagada e sem comunicações em função da passagem do ciclone Idai

Representantes da Organização das Nações Unidas (ONU) afirmaram que a tempestade que atingiu Moçambique, Malaui e Zimbábue durante a  passagem do ciclone Idai foi a pior da história no hemisfério sul. Moçambique foi o país mais afetado e, segundo a Cruz Vermelha Internacional e o governo do país, o número de mortos pode passar de mil.

Só em Moçambique, a FAO, agência da ONU para alimentação, estima que mais de 1,7 milhão de pessoas tenham sido afetadas. No Malaui, estima-se que cerca de 900 mil pessoas tenham sido atingidas pelas destruições causadas pelo ciclone Idai .

De acordo com o último balanço divulgado nesta segunda-feira (18) pelos governos, 88 mortes foram confirmadas em moçambique, 56 em Malaui e 98 em Zimbábue. Centenas de pessoas estão desaparecidas.

Além dos efeitos imediatos dos fortes ventos e da chuva, os países, em especial Moçambique, agora enfrentam grandes inundações. "Não temos números claros sobre mortos, mas estamos olhando para áreas enormes que estão debaixo d'água. Estamos vendo quilômetros de aldeias sob vários metros de água", afirmou Gerard Burke, do Programa Mundial de Alimentos da ONU .

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Lola Castro, também do Programa Mundial de Alimentos da ONU, afirma que há áreas em que a água está seis metros acima do nível normal. O Rio Buzi, que fica na província de Sofala em Moçambique, saiu do seu leito, matando dezenas de pessoas. O presidente do país, Filipe Nyusi, pediu à população que mora perto de rios que abandonem a área “para salvar sua vida”.

As operações de socorro encontram dificuldades porque grande parte das pontes e estradas foram destruídas pelo ciclone. A ajuda humanitária tenta chegar às pessoas de helicóptero e em botes de borracha.

"Estamos trabalhando com a Nasa, a agência espacial norte-americana, e com a Agência Espacial Europeia para obter informações mais completas sobre as áreas afetadas e o número de pessoas presas lá”, afirmou Carolina Haga, da Cruz Vermelha Internacional.

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A União Europeia anunciou nesta terça-feira (19) uma ajuda emergencial de 3,5 milhões de euros. Tanto os governos quanto a Cruz Vermelha acreditam que número de mortos em consequência da passagem do ciclone Idai vai aumentar muito.