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Instabilidade na rede elétrica intensificou crise política no país sul-americano

Apagão na Venezuela durou quase uma semana
Reprodução/Twitter
Apagão na Venezuela durou quase uma semana

O ministro de Comunicação da Venezuela, Jorge Rodríguez, informou que o fornecimento de energia elétrica foi restabelecido por completo depois do apagão que chegou a afetar quase todo o país desde a quinta-feira (7). Além disso, o governo Nicolás Maduro anunciou a retomada das atividades profissionais que estavam suspensas desde sexta (8).

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Em entrevista à emissora estatal VTV, o ministro indicou que, excepcionalmente, as atividades escolares continuarão suspensas por mais 24 horas na Venezuela , mas que as atividades de todo o setor público e privado serão retomadas, depois de terem ficado suspensas nos quatro dias úteis anteriores.

"No dia de hoje está completamente restituído, em 100%, o serviço de energia elétrica em nível nacional", disse Rodríguez, na quarta-feira (13/03), após reconhecer que restam algumas áreas com falhas relacionadas com "sabotagens locais", mas que já estavam sendo tratadas. "O presidente Maduro decidiu que as atividades laborais serão retomadas a partir da manhã de quinta-feira."

Segundo Rodríguez, o fornecimento de água, afetado pelo blecaute, foi restabelecido em 70% a 80%. O ministro também confirmou a reativação dos exercícios militares que vinham ocorrendo há semanas – desta vez, focados no monitoramento da infraestrutura elétrica e hídrica.

Estas manobras serão "dirigidas a um processo de proteção integral de todo o Sistema Elétrico Nacional (SEN) e do nosso sistema de águas", acrescentou o ministro, reiterando a versão governamental que acusa os Estados Unidos e a oposição local pelo blecaute de quinta-feira.

Os exercícios militares implicarão no desdobramento de toda a força militar venezuelana "ao redor das 114 estações de prestação de serviço de energia elétrica" do país "para empreender um processo estratégico de proteção" dessas instalações.

Maduro tem sustentado a teoria de que o apagão foi causado por "ataques cibernéticos e eletromagnéticos" dos Estados Unidos contra os sistemas da usina hidrelétrica de Guri, que gera praticamente 80% da energia elétrica da Venezuela.

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"Para evitar que voltem a acontecer no futuro novos ataques de ação criminosa do terrorismo da extrema direita venezuelana e dos seus donos na administração do governo dos EUA", completou Rodríguez. O governo chavista afirmou ainda que pedirá ajuda da Rússia e do Irã para investigar as causas do apagão.

O regime do presidente chegou a prender o jornalista Luis Carlos Díaz. Ele trabalha como apresentador de rádio é um ativista pela liberdade digital. Ele foi acusado de ter causado um dos apagões, mas nada foi provado.

O apresentador foi liberado em Caracas depois de 30 horas de prisão, mas ainda responde a acusação de incitação à deliquência, terá que comparecer diante das autoridades a cada oito dias e não poderá deixar o país sem autorização. 

Em conversa com a imprensa, Díaz disse que está proibido de comentar o caso. "O processo segue, não posso dar declarações. Tenho mil histórias, mas não posso dizer nada. Isso dependeu de vocês. Viva o jornalismo venezuelano, todo poder às redes. Esse é o momento das redes", afirmou.

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De acordo com a organização não-governamental Médicos por la Salud,  21 pessoas morreram em hospitais da Venezuela onde o  apagão  fez com que geradores parassem de funcionar, impedindo também o funcionamento de equipamentos respiratórios e máquinas de diálise.

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