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Regime de Maduro defende que o apagão, que matou mais de 20 pessoas no país, foi causado por sabotagem dos EUA com a ajuda de ataques hackers

O jornalista Luis Carlos Díaz criticava posicionamento de Maduro em relação à apagão
Reprodução/Twitter
O jornalista Luis Carlos Díaz criticava posicionamento de Maduro em relação à apagão

O jornalista Luis Carlos Díaz,  preso nessa segunda-feira (11), sob acusação de ter causado o apagão que durou quatro dias na Venezuela, foi liberado em Caracas na noite de ontem. Ele havia sido detido por agentes do regime de Nicolás Maduro. 

Na tarde do dia 7 de março, um enorme apagão atingiu 22 dos 23 estados da Venezuela. O jornalista foi preso nessa segunda-feira pelo Serviço Bolivariano de Inteligência Nacional (Sebin), acusado de ter ajudado a causar o blecaute com ataques hackers.

Díaz foi detido enquanto ia de bicicleta para o trabalho, por volta das 17h30, e levado ao Helicoide, um edifício em Caracas construído para ser um shopping center, mas que agora é usado como prisão. As forças de segurança negaram saber seu paradeiro e ele ficou desaparecido por oito horas.

O acusado é apresentador de programas de rádio, conhecido por seu ativismo na área de direitos digitais e mantém um canal no Youtube. O regime Maduro justifica que um vídeo postado pelo jornalista ao lado de sua esposa, a comentarista política Nanky Soto, foi o que levantou as acusações de que ele teria ajudado a causar o apagão.

No vídeo, um seguidor pergunta sobre os efeitos que apagões podem ter em um país e ele responde que, em um cenário hipotético, as pessoas poderiam sair às ruas e pressionar o governo. O nome da esposa também estava nos documentos de prisão, mas os agentes disseram que, por ela estar em um tratamento contra o câncer de mama, não a levariam desde que permanecesse calada.

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"Ele é acusado de ser hacker, quando na verdade trabalha pelo contrário, pelos direitos digitais. Ele forma pessoas para usar as redes, não tem especialidade em mexer com códigos. Isso é uma loucura", afirmou Naky Soto ao jornal Folha de S.Paulo

O apresentador foi liberado em Caracas depois de 30 horas de prisão, mas ainda responde a acusação de incitação à deliquência, terá que comparecer diante das autoridades a cada oito dias e não poderá deixar o país sem autorização.

Em conversa com a imprensa, Díaz disse que está proibido de comentar o caso. "O processo segue, não posso dar declarações. Tenho mil histórias, mas não posso dizer nada. Isso dependeu de vocês. Viva o jornalismo venezuelano, todo poder às redes. Esse é o momento das redes", afirmou.

De acordo com a organização não-governamental Médicos por la Salud,  21 pessoas morreram em hospitais onde o  apagão  fez com que geradores parassem de funcionar, impedindo também o funcionamento de equipamentos respiratórios e máquinas de diálise.

Na capital, 40 pessoas foram presas por saquear comércios durante o apagão. Saques também foram registrados em outros locais. Os moradores relatam que a falta de energia causou o apodrecimento de comidas que estavam armazenadas nas geladeiras das casas. O transporte público também parou de funcionar. 

Enquanto Maduro defende que houve sabotagem organizada pelos Estados Unidos, com ajuda dos ataques hackers do jornalista , o presidente autodeclarado Juan Guaidó culpou a corrupção e a falta de manutenção elétrica pelo apagão.  



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