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Por 391 votos a 242, Parlamento britânico rejeitou o acordo proposto por May apenas duas semanas antes do Reino Unido sair definitivamente da UE

Acordo do Brexit proposto por Theresa May já havia enfrentado derrota histórica no Parlamento, em janeiro
Divulgação/Number 10
Acordo do Brexit proposto por Theresa May já havia enfrentado derrota histórica no Parlamento, em janeiro

O acordo do Brexit proposto pela primeira-ministra do Reino Unido, Theresa May, foi novamente rejeitado durante votação no Parlamento, na tarde desta terça-feira (12). Dois meses após sofrer derrota histórica , May afirmava ter um projeto “melhorado” e que oferecia garantias “juridicamente vinculativas” em relação à saída do Reino Unido da União Europeia (UE). No entanto, 391 parlamentares votaram contra o projeto, enquanto 242 votaram a favor.

O tempo para o debate é curto. A partir de hoje, o Reino Unido tem pouco mais de duas semanas para fechar um acordo antes que o Estado saia oficialmente do bloco, no dia 29 de março, às 23h do horário local. Após a votação, May anunciou que, na quarta-feira (13), haverá debate em torno da possibilidade de que o Brexit aconteça sem que os lados cheguem a um acordo.

A rejeição aconteceu após May e o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, anunciarem terem mudado o ponto de maior fragilidade no projeto e o que mais enfrenta barreiras: o chamado ‘backstop’, princípio que prevê uma fronteira aberta entre a Irlanda do Norte, território britânico, e a República da Irlanda, membro da UE.

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O acordo original proposto por  Theresa May  não expressava de maneira clara se esse livre fluxo entre as fronteiras aconteceria, dizendo apenas que seria mantida uma união aduaneira temporária entre o Reino Unido e a UE, enquanto ambos o lados negociariam um acordo de livre-comércio.

Durante o encontro, os dois líderes concordaram que, caso não houvesse uma solução definitiva para a fronteira, os britânicos poderiam abrir uma “disputa formal” contra a UE, enquanto o bloco se comprometeu a encontrar alternativas para a questão até 2020 e proteger o Acordo de Paz realizado em 1998. Segundo Juncker, essa era a última vez que o projeto seria colocado sob votação. “É este acordo ou o Brexit poderia não acontecer”, disse à imprensa local.

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Com a nova rejeição, os britânicos passam a temer que o Reino Unido saia do bloco sem conseguir acordar os seus termos. Ou isso, ou a União Europeia deverá oferecer um prazo maior e dar mais tempo para que o Reino Unido resolva seus impasses, antes que o Brexit seja colocado em prática.

*Com informações da Ansa.