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Foram 432 votos contrários e 202 a favor do Brexit; primeira-ministra Theresa May terá agora três dias para apresentar plano B aos parlamentares

Thereza May durante leitura do novo texto do Brexit no Parlamento do Reino Unido
Reprodução/UK Prime Minister
Thereza May durante leitura do novo texto do Brexit no Parlamento do Reino Unido

O acordo para a saída do Reino Unido da União Europeia, aprovado em referendo popular em 23 de junho de 2016, foi rejeitado na tarde desta terça-feira (15) pelo parlamento britânico. Os termos da proposta enviada ao Congresso foram negociados pela primeira-ministra Theresa May. Foram 432 votos contra e 202 a favor do Brexit. 

No entanto, logo após o anúncio do resultado sobre o Brexit, o líder do Partido Trabalhista, Jeremy Corbyn, anunciou que seu partido irá apresentar uma moção de desconfiança contra Theresa May, que deverá ser discutida na quarta-feira (16). A justificativa é que ela não conseguiu produzir um acordo aprovado pela maioria do Parlamento.

A votação estava marcada, inicialmente, para o dia 11 de dezembro do ano passado . Porém, ciente da virtual derrota no parlamento, a premiê britânica conseguiu adiar para esta terça-feira. Apesar disso, pouca coisa parece ter mudado nesse intervalo de tempo, já que o próprio Partido Conservador já tinha sinalizado que não concordava com os termos propostos.

Agora, a primeira-ministra terá apenas três dias para apresentar uma alternativa ou tentar convencer os parlamentares – mais uma vez – a aprovarem o mesmo texto. Isso significa que uma nova discussão pode ser marcada já para a semana que vem.

A correria e o prazo apertado se deve à proposta da União Europeia para que o Reino Unido deixe o bloco na data e hora marcada: 29 de março, às 23h do horário local. Caso nenhuma proposta da ministra seja aceita, o Reino Unido terá que deixar o bloco abandonando todas as leis impostas pela União Europeia, sem que haja a possibilidade de negociação dos termos. 

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A incerteza sobre o desfecho dessa história coloca o Reino Unido em posição de alerta para tomar medidas preventivas caso nenhuma proposta de May seja aceita. Como exemplo, testes a fim de lidar com problemas de transporte em aeroportos e no Canal da Mancha já foram realizados. Além disso, é levantada a possibilidade de que a UE estenda o prazo para julho, a fim de que haja mais tempo para que os acordos sejam negociados. 

A forte oposição enfrentada pela ministra é referente às concessões impostas no gerenciamento da fronteira entre Irlanda (que faz parte da UE) e a Irlanda do Norte (que faz parte do Reino Unido). Apesar de continuar aberta, a fronteira contaria com um controle aduaneiro, denominado como "backstop". 

Uma das preocupações da primeira-ministra é de que a "vontade popular" seja decepcionada.  Às vésperas da votação, Theresa May alegou que a rejeição do plano pode decepcionar o povo britânico e pediu que os parlamentares analisem o texto novamente.

Porém, a população pró-Brexit pode ficar mais decepcionada do que isso. Em meio à confusão, surge a possibilidade de que um segundo referendo seja realizado e de que a saída do Reino Unido da União Europeia seja cancelada. Além disso, May ainda pode ser substituída, perdendo o posto de primeira-ministra e repassando o problema ao seu sucessor.

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Porém, as chances de que esse cenário se realize são poucas. O líder do Partido Trabalhista – adversário de May – já declarou publicamente que prefere chegar a um acordo do que cancelar ao veredito tomado em 2016. Da mesma forma, a primeira-ministra concordou que "Brexit é Brexit " e que, apesar das contradições que envolvem a decisão, ela deve ser respeitada. 


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