Tamanho do texto

Juan Guaidó desobececeu ordem de não deixar a Venezuela, mas não teve problemas para entrar no país e foi recebido por uma multidão no aeroporto

Juan Guaidó vem convocando manifestações na Venezuela contra o governo de Nicolás Maduro
Twitter/ @jguaido
Juan Guaidó vem convocando manifestações na Venezuela contra o governo de Nicolás Maduro

O autodeclarado presidente interino da Venezuela, Juan Guaidó,  voltou ao país nesta segunda-feira (4) após mais de uma semana em turnê pela América do Sul. Mesmo correndo o risco de ser preso, Guaidó discursou logo que chegou e convocou: "vamos com tudo até conseguir a liberdade do nosso país”.

Juan Guaidó não teve problemas para entrar no país, apesar de ter desobedecido a ordem de Nicolás Maduro de não deixar o território nacional. Guaidó foi recebido por uma multidão no Aeroporto de Maiquetía e foi direto para uma praça onde era esperado por seus apoiadores. Ele havia convocado manifestações contra o governo Maduro para esta segunda-feira.

Em seu discurso, o presidente interino convocou novas manifestações para o sábado (9) e disse que buscará mais adesão entre funcionários públicos. Ele também afirmou que tem grande apoio entre os militares, apesar de apenas 700 militares terem desertado. Segundo Guaidó, seriam 80% de apoiadores entre os membros das Forças Armadas.

O presidente autodeclarado também lembrou dos migrantes e refugiados que deixaram o país. “Não haverá normalidade até que recuperemos o abraço em família, até que retorne o povo que se foi, sentimos falta dos migrantes, os abraçamos na Colômbia, no Brasil, na Argentina e no Equador”.

Leia também: Cinco vezes em que o Brasil enviou ajuda humanitária a outros países

Nicolás Maduro havia advertido que caso Guaidó deixasse o país, poderia ser preso quando retornasse. Atores internacionais, inclusive o chanceler brasileiro Ernesto Araújo, criticaram as ameaças de prisão. O autoproclamado presidente interino agradeceu a ajuda dos países vizinhos e pediu que os apoiadores continuem esperançosos. "Hoje a Venezuela insiste em avançar", disse.

No último domingo (3), Guaidó afirmou ter dado instruções para aliados internacionais caso fosse preso. “Se o usurpador [Maduro] e seus cúmplices ousarem tentar me deter, será um dos últimos erros que estarão cometendo. Deixamos um caminho claro, com instruções claras a serem seguidas por nossos aliados internacionais e irmãos parlamentares. Estamos muito mais fortes do que nunca e não é hora de fraquejar”, disse.

O presidente autoproclamado saiu da Venezuela para  organizar a tentativa de entrada de ajuda humanitária vinda dos Estados Unidos, do Brasil e da Colômbia. Em seguida, Guaidó participou da reunião do Grupo de Lima, que aconteceu em Bogotá, na Colômbia.

De Bogotá, Juan Guaidó veio para Brasília, onde se reuniu com o presidente Jair Bolsonaro. Ele então seguiu para o Paraguai e se encontrou com o presidente Mario Abdo. Os encontros tinham como objetivo articular a pressão internacional para a derrubada de Nicolás Maduro.