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Para o vice-presidente, país vizinho não conseguirá sair sozinho da "opressão do regime chavista", sem propor soluções mais enérgicas ao problema

Hamilton Mourão também fez um apelo pela convocação de novas eleições na Venezuela, fiscalizada pela OEA.
ASSCOM/VPR
Hamilton Mourão também fez um apelo pela convocação de novas eleições na Venezuela, fiscalizada pela OEA.

O vice-presidente da República, general Hamilton Mourão, afirmou nesta segunda-feira (25) que a Venezuela não conseguirá sair sozinha da "opressão do regime chavista", sem propor soluções mais enérgicas ao problema. Durante seu discurso no Grupo de Lima , em Bogotá, Mourão disse ainda que momento é de solidariedade interamericana para evitar conflitos que agravem a crise no país vizinho.

"O momento é de solidariedade interamericana, desvestida de ideologia e sectarismo, uma solidariedade sensível à crise humana e moral que se abate de maneira contundente sobre a Venezuela", disse Hamilton Mourão .

O vice-presidente também fez um apelo pela convocação de novas eleições na Venezuela, fiscalizada pela OEA. “O Brasil acredita firmemente que é possível devolver a Venezuela ao convívio democrático das Américas sem qualquer medida extrema, que nos confunda como nações democráticas, com aquelas que serão julgadas pela história como agressores, invasoras e violadoras das soberanias nacionais.”

O Grupo de Lima reúne 13 países, dentre eles Brasil, Colômbia e Guiana, que são justamente as três nações que fazem fronteira com a Venezuela. Atualmente, por ordem do presidente Nicolás Maduro, apenas a fronteira terrestre do país com a Guiana está aberta.

Completam o grupo, criado em 2017 para discutir o "restabelecimento da democracia na Venezuela", a Argentina, o Peru, o Chile, o Paraguai, a Costa Rica, a Guatemala, Honduras, o Panamá, o Canadá e o México.

Além dos representantes desses países, também está em Bogotá o vice-presidente dos Estados Unidos, Mike Pence .

A crise na Venezuela se intensificou nos últimos dias devido ao envio da ajuda humanitária (com alimentos e remédios) oferecida por nações que reconhecem o autodeclarado presidente interino venezuelano, Juan Guaidó. Maduro ordenou que as tropas leais ao seu governo fechassem as fronteiras terrestres para impedir que os caminhões com os insumos cheguem à Venezuela.

Nicolás Maduro alega que a comida oferecida pela cooperação internacional (que envolve países como EUA, Brasil e Chile) é "podre" e representa estratégia do americano Donald Trump para realizar invasão militar à Venezuela.

O fechamento das fronteiras venezuelanas é realizado por tropas de militares, que chegaram a colocar barris, cercas e contêineres para impedir a passagem de veículos em pontes que ligam o território do país à Colômbia. Houve protestos violentos ao longo desse fim de semana tanto na fronteira colombiana quanto na fronteira brasileira.

Juan Guaidó tem feito apelo para que os militares leais ao regime chavista autorizem a passagem dos caminhões com ajuda humanitária. Guaidó prometeu imunizar aqueles que desertarem das forças de Maduro.

No sábado (23), completou um mês desde que ele se  declarou presidente encarregado – anúncio reconhecido pela maioria dos integrantes do Grupo de Lima, inclusive o governo brasileiro. A constituição venezuelana prevê que, em caso de haver um presidente interino, ele deve convocar novas eleições no prazo de 30 dias. Guaidó, no entanto, não cumpriu com o rito até o momento.

Além de Hamilton Mourão , o Brasil é representado na reunião pelo ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo. Ambos viajaram no sábado e, nos últimos dias, Araújo esteve em Pacaraima (RR) e na fronteira da Colômbia. Em nota, o governo brasileiro repudiou os atos de violência tanto nas áreas próximas ao Brasil quanto na colombiana.