Tamanho do texto

No meio de protestos contra e a favor de Maduro, líder do parlamento da Venezuela se autoproclama presidente interino do país e é reconhecido por Donald Trump, Jair Bolsonaro chefe da OEA, aumentando tensão na política

Juan Guaidó se autoproclamou presidente da venezuela nesta qurat-feira (23)
Reprodução
Juan Guaidó se autoproclamou presidente da venezuela nesta qurat-feira (23)


Principal opositor ao governo de Nicolás Maduro, o líder do parlamento do país, Juan Guaidó, se autoproclamu presidente da Venezuela na tarde desta terça-feira (23). O discurso se deu no meio dos protestos contra e a favor ao atual chefe de Estado. Diante do discurso, Guaidó recebeu o reconhecimento do presidente dos EUA, Donald Trump, e do chefe da OEA, Luis Almagro.

Leia também: Médicos cubanos que deixaram o Brasil vão trabalhar na Venezuela

Um dos organizadores dos protestos, Juan Guaidó subiu no palanque e afirmou que é, "de fato", o presidente da Venezuela , seguindo a vontade das ruas, que não querem que Nicolás Maduro continue suas ações no país.

"Hoje, 23 de janeiro de 2019, em minha condição de presidente da Assembleia Nacional, ante Deus todo-poderoso e a Venezuela, juro assumir formalmente as competências do Executivo nacional como presidente em exercício da Venezuela.", disse Guaidó.


Grande interessado no fim do regime bolivariano na Venezuela, Trump não demorou para apoiar a ação.

"Os cidadãos da Venezuela sofreram por tempo demais nas mãos do regime ilegítimo de Maduro. Hoje, eu reconheci oficialmente o presidente da Assembleia Nacional da Venezuela, Juan Guaidó, como presidente interino da Venezuela", escreveu Donald Trump no Twitter.

O presidente Jair Bolsonaro também deu sua opinião e declarou que reconhece Juna Guaidó como presidente oficial da Venezuela e que o Brasil vai apoiar a política do novo líder no país. O mesmo foi dito pelo presidente do Paraguai, Mario Abdo Benitez.





Antes do juramento, Guaidó reiterou a promessa de anistia aos militares que abandonarem Maduro e apelou para que fiquem “do lado do povo”. Segundo ele, é preciso reagir à “usurpação” do poder por parte do presidente da República, instaurar o governo de transição e eleições livres.

Leia também: Araújo faz reunião com opositores de Maduro para discutir crise na Venezuela

Guaidó chegou a ser preso no dia 13 de janeiro por agentes de segurança. No dia anterior, ele tinha comandado uma sessão no parlamento venezuelano em que declarava a presidência da Venezuela "usurpada". Horas depois, acabou liberado pela polícia.

Protestos contra Maduro como presidente da Venezuela 

Oposição a Maduro dá início a segundo dia de protestos nacionais para troca de presidente da Venezuela
Reprodução/ Twitter
Oposição a Maduro dá início a segundo dia de protestos nacionais para troca de presidente da Venezuela


Nas ruas, organizações não governamentais, como Observatório Venezuelano de Conitividade Social (OVCS), denunciam violência e confrontos entre manifestantes e forças policiais. Segundo a OVCS, um adolescentes de 16 anos foi baleado em um dos protestos.

"Condenamos o assassinato do jovem Alixon Pizani [16] por ferimentos a bala durante uma manifestação em Catia, Caracas", informou o OVCS em sua conta no Twitter.

O cenário de paz não foi encontrado nas manifestações da última noite. Em um vídeo que circula pelas redes sociais, uma estátua de Hugo Chávez , que já foi presidente da Venezuela, localizada na cidade de San Felix, aparece sendo incendiada e destruída. Já próximo ao Palácio Presidencial de Miraflores, na capital, jovens atearam fogo em barricadas, pedindo pela queda de Maduro e, pelo menos, um manifestante morreu baleado.


Enquanto isso, o governo acusou os líderes oposicionistas de tentarem provocar derramamento de sangue e prometeu que irá responder às manifestações. Segundo as Forças Armadas da Venezuela, as autoridades apreenderam granadas, metralhadoras e uniformes da Guarda Nacional de um grupo “terrorista” que planejava se infiltrar entre os seguranças durante os protestos.

Na segunda-feira (21), 27 militares da Guarda Nacional Bolivariana do bairro de Cotiza foram presos após realizarem motim contra o governo de Nicolás Maduro. Os oficiais utilizaram gás lacrimogêneo durante a rebelião e assassinaram uma mulher de 38 anos com um tiro na cabeça. A reação aconteceu menos de uma semana depois de a Assembleia Nacional Constituinte oferecer anistia a militares e civis que se manifestarem contra o governo de Maduro.

“Nos dirigimos aos militares de média e baixa patente: percam o medo”, disse Guaidó, no plenário da Câmara, ao convocar os militares a abandonar o governo. Na segunda, o ministro da Comunicação, Jorge Rodríguez, acusou o partido de Guaidó de ter incentivado a rebelião militar em Cotiza e de estar recebendo ordens diretas do vice-presidente dos Estados Unidos, Mike Pence.

Os Estados Unidos, assim como a União Europeia e outros países da América Latina, não reconhecem Nicolás Maduro como presidente da Venezuela com mandato iniciado no dia 10 de janeiro deste ano, com a justificativa de ser um governo “usurpador” e que não foi escolhido por eleições legítimas.

Mas essa história não parece ter um fim próximo, já que, em meio à luta entre Nicolás Maduro e oposicionistas, o país continua mergulhando, cada vez mais, em uma crise política e econômica.

Na terça-feira (22) houve vários protestos contra Nicolás Maduro nas ruas de Caracas e região. Imagens divulgadas pelas entidades civis organizadas mostram embates entre manifestantes e agentes do Estado, barricadas nas ruas e uso de coquetel Molotov.

O porta-voz da Organização das Nações Unidas (ONU), Farhan Haq, disse nesta quarta-feira (23) que a entidade acompanha de perto os desdobramentos da crise no país da América do Sule as manifestações. Ele disse que a entidade rechaça qualquer tipo de violência e aguarda pelo avanço de negociações, sem fazer pronunciamento sobre quem é o real presidente da Venezuela .

*Com informações da Agência Brasil 

    Notícias Recomendadas

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.