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Forças Armadas venezuelanas impedem a entrada de ajuda humanitária no país em meio a crise; presidente diz temer intervenção dos Estados Unidos

Bloqueio na fronteira com a Colômbia dificulta a entrada de ajuda humanitária na Venezuela
Divulgação/Twitter - @NicolasMaduro
Bloqueio na fronteira com a Colômbia dificulta a entrada de ajuda humanitária na Venezuela

Militares reforçam uma espécie de bloqueio na ponte que faz fronteira entre Venezuela e Colômbia. A ação ocorre no momento do impasse entre o presidente venezuelano, Nicolás Maduro, e o interino, Juan Guaidó, que promove uma campanha internacional para angariar ajuda humanitária.

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Com o bloqueio, a dificuldade para o ingresso de doações aumenta. De acordo com informações da Andina, agência pública de notícias do Peru, há contentores na ponte Tienditas, que liga os locais de Cúcuta, na Colômbia e Urena, na Venezuela .

Na semana passada, a estrada havia já sido bloqueada com o tanque de combustível e dois contêineres. A ajuda humanitária foi enviada por alguns países para Cucuta (Colômbia) a pedido de Guaidó . Maduro nega que promova um bloqueio na região e diz que a ação é de proteção contra eventual intervenção militar liderada pelos Estados Unidos.

Maduro e Guaidó lideram protestos na Venezuela

Onda de protestos marcam polarização de crise na Venezuela
Reprodução/Twitter
Onda de protestos marcam polarização de crise na Venezuela

Nessa terça-feira (12) milhares de manifestantes saíram nesta terça-feira às ruas da capital da Venezuela e de outras cidades do  país para protestar contra e a favor do governo de Nicolás Maduro. As manifestações em favor do presidente Maduro se concentraram principalmente nas ruas de Caracas, como parte da marcha para a celebração do Dia da Juventude e em defesa da soberania do país.

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"Eu quero a paz para a Venezuela , todos queremos paz para a Venezuela. Que os tambores da guerra se afastem, que as ameaças de invasão militar se afastem e que a Venezuela diga em um só coro, com uma só voz:  Queremos paz! Queremos felicidade!", discursou Maduro.

Por outro lado, em ruas de outras cidades do país, manifestantes pediam a entrada de ajuda humanitária no país. O presidente autoproclamado, Juan Guai dó , marcou para o próximo dia 23 a data para entrada no país de doações internacionais. Neste dia completará um mês que ele se proclamou presidente da República.

“Um mês depois que nós, venezuelanos, fizermos o juramento, 23 de fevereiro será o dia da ajuda humanitária para entrar no país. A partir de hoje vamos nos organizar para a maior mobilização da nossa história”, afirmou Guaidó no seu perfil no Twitter.

Guaidó também anunciou que haverá um centro de distribuição de doações em Roraima. O centro faz parte da cooperação coordenada por um gabinete interministerial do Brasil, envolvendo os ministérios da Saúde e da Defesa, e será instalado nos próximos dias.

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 “Para que a ajuda humanitária entre, precisamos de organização e mobilização. Não há ninguém que possa contra uma maioria organizada”, alertou Juan Guaidó , informando que no sábado (16) serão organizados conselhos destinados à organização da ajuda humanitária. 

egundo o venezuelano, no domingo (17) haverá “acampamentos humanitários itinerantes” em distintos pontos do país. “Tudo o que estamos fazendo é impedir que continuemos a ver os venezuelanos sofrerem. Já basta. É hora de ajudar”, ressaltou nas redes sociais.

Guaidó disse ainda que haverá mais um centro de distribuição de ajuda humanitária, além de Roraima e Cúcuta, na Colômbia. De passagem por Brasília, a nova embaixadora venezuelana no Brasil, María Teresa Belandria, disse na segunda-feira (11) que há necessidade de alimentos, medicamentos, transporte e logística.

Em meio à chegada da primeira carga de ajuda humanitária ao,  Nicolás Maduro  manifestou sua insatisfação com a “intervenção” norte-americana e apontou o país de Donald Trump como o principal causador da crise venezuelana.

Em entrevista à  BBC News , divulgada nesta manhã, Maduro garantiu que não aceitará que a Venezuela receba ajuda humanitária dos Estados Unidos, já que esse seria um “show” projetado pelo país como uma forma de controlar e intervir na política venezuelana. “Eles são belistas que querem tomar a país."

"É uma guerra política, do império dos Estados Unidos, dos interesses da extrema-direita e da Klu Klux Klan , que governa a Casa Branca, para assumir a Venezuela", disse o líder venezuelano.

Nos últimos meses, o país vem enfrentando grave escassez de itens básicos, como medicamentos e alimentos. Porém, tal questão foi negada por Maduro , que afirmou que a  Venezuela  tem a capacidade de satisfazer as necessidades de seu povo e que não precisa de “migalhas de ninguém”.


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