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Em entrevista à BBC, o presidente venezuelano Nicolás Maduro rejeitou ajuda humanitária dos EUA e chamou Trump de "supremacista branco"

Em entrevista, Nicolás Maduro apontou os Estados Unidos como principais culpados pela crise na Venezuela
Divulgação/Twitter - @NicolasMaduro
Em entrevista, Nicolás Maduro apontou os Estados Unidos como principais culpados pela crise na Venezuela

Em meio à chegada da primeira carga de ajuda humanitária à Venezuela e ao início de novos protestos no país, nesta terça-feira (12) , o presidente Nicolás Maduro manifestou sua insatisfação com a “intervenção” norte-americana e apontou o país de Donald Trump como o principal causador da crise venezuelana.

Em entrevista à BBC News , divulgada nesta manhã, Maduro garantiu que não aceitará que a Venezuela receba ajuda humanitária dos Estados Unidos, já que esse seria um “show” projetado pelo país como uma forma de controlar e intervir na política venezuelana. “Eles são belistas que querem tomar a Venezuela."

Nos últimos meses, o país vem enfrentando grave escassez de itens básicos, como medicamentos e alimentos. Porém, tal questão foi negada por Maduro, que afirmou que o país tem a capacidade de satisfazer as necessidades de seu povo e que não precisa de “migalhas de ninguém”.

Apesar das intensas faíscas, os problemas entre as duas nações não é recente. A relação entre Maduro e Trump já era conflitante antes até que o comandante da Casa Branca fosse um dos primeiros a reconhecer o líder da oposição, Juan Guaidó, como presidente interino da Venezuela. Em seguida, outras nações apoiadoras do presidente norte-americano também reconheceram Guaidó como o novo líder, o que fez crescer a pressão sob Maduro para que novas eleições presidenciais fossem convocadas.

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Em meio a isso, os Estados Unidos ainda acusam o governo venezuelano de corrupção e de violação dos direitos humanos. Do ponto de vista de Maduro, as acusações são apenas uma manobra do país norte-americano para dar um golpe na Venezuela. "É uma guerra política, do império dos Estados Unidos, dos interesses da extrema-direita e da Klu Klux Klan , que governa a Casa Branca, para assumir a Venezuela", explicou.

O presidente venezuelano ainda afirma apostar na “opinião pública mundial” como arma de defesa contra o “extremismo” proveniente da Casa Branca e do “supremacista branco” - querendo mencionar Trump .

Dentre as principais “medidas extremas” do presidente do norte-americano, estão as sanções econômicas - principalmente contra a estatal petrolífera do país (PDVSA) - impostas pelos Estados Unidos, com o objetivo de atingir a principal fonte de receita da Venezuela, de acordo com o líder venezuelano. Nos últimos anos, o governo de Trump restringiu o acesso do país latino-americano aos mercados dos Estados Unidos e impediu negociações com os envolvidos no comércio de ouro do país.

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Foram essas sanções impostas que Maduro apontou como as principais culpadas pelos problemas econômicos na Venezuela, ao passo que foram movidas pelo desejo norte-americano de “criar uma crise humanitária” e ocupar de vez o país. “Eles nos odeiam e nos depreciam, porque eles só acreditam em seus próprios interesses”, explicou o presidente.

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