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Repórter venezuelana Carla Angola afirma que o senador norte-americano Marco Rubio ofereceu a chance do presidente receber anistia de aliados

O senador norte-americano Marco Rubio negocia o fim do governo Maduro
Gage Skidmore/ Fotos Públicas
O senador norte-americano Marco Rubio negocia o fim do governo Maduro

Os Estados Unidos, através do senador republicano Marco Rubio, teriam oferecido anistia ao presidente venezuelano, Nicolás Maduro. A informação é da jornalista Carla Angola, que trabalhava na emissora Globovision, da Venezuela, mas se mudou para os Estados Unidos por divergências com o governo.

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De acordo com a repórter, o republicano, que concorreu nas prévias do partido para as últimas eleições presidenciais, ofereceu para Maduro a chance de sair da Venezuela sem ser julgado pelo que ele classificou como "crimes contra a humanidade". As opções do chavista seriam países como o México, o Uruguai, a Rússia, a China ou a Turquia.

Assista ao vídeo da Repórter venezuelana Carla Angola:




Oficialmente, no entanto, os Estados Unidos não ainda não oficializaram a proposta ao presidente venezuelano. Rubiu também ofereceu anistia a seis altos oficiais das Forças Armadas da Venezuela durante um discurso nesta terça-feira (11). Sobre Maduro e Diosdado Cabello, número dois do regime chavista, ele previu o "pior".

O senador chegou a dizer que os líderes não iriam "receber nenhum tipo de anistia de parte dos Estados Unidos por acusações federais". "Não existe futuro, simplesmente uma prisão", disse o republicano. No entanto, se especula que a comunidade internacional possa ceder para evitar uma guerra cívil no país.

De origem cubana, Rubio é um crítico ferrenho de regimes como o de Fidel Castro. Em seus discursos, o político frequentemente compara Maduro ao ex-ditador cubano. O republicano, que perdeu para o atual presidente Donald Trump nas primárias do partido e não pode disputar a vaga na Casa Branca, se tornou um dos maiores aliados do governo nas negociações com países latinos.

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Os Estados Unidos foram um dos primeiros a reconhecer Juan Guaidó como presidente interino da Venezuela. A União Europeia e o Grupo de Lima, do qual o Brasil faz parte, também estão ao lado do oposicionista de Maduro.

Principal opositor ao governo de Nicolás Maduro, o líder do parlamento do país, Juan Guaidó, se autoproclamou presidente da Venezuela no dia 23 de janeiro. O discurso se deu no meio dos protestos contra e a favor ao atual chefe de Estado.

Um dos organizadores dos protestos, Juan Guaidó subiu no palanque e afirmou que é, "de fato", o presidente da Venezuela , seguindo a vontade das ruas, que não querem que Nicolás Maduro continue suas ações no país.

Antes do juramento, Guaidó reiterou a promessa de anistia aos militares que abandonarem Maduro e apelou para que fiquem “do lado do povo”. Segundo ele, é preciso reagir à “usurpação” do poder por parte do presidente da República, instaurar o governo de transição e eleições livres. Desde que o opositor foi reconhecido pela comunidade internacional, alguns militares já deixaram o país, mas a maioria segue jurando lealdade a Maduro.

Maduro e Guaidó discursam na Venezuela

Atos contra e pró Maduro tomaram as ruas da Venezuela nesta semana
Twitter/ @NicolasMaduro
Atos contra e pró Maduro tomaram as ruas da Venezuela nesta semana

Nessa terça-feira (12) milhares de manifestantes saíram nesta terça-feira às ruas da capital da Venezuela e de outras cidades do  país para protestar contra e a favor do governo de Nicolás Maduro. As manifestações em favor do presidente Maduro se concentraram principalmente nas ruas de Caracas, como parte da marcha para a celebração do Dia da Juventude e em defesa da soberania do país.

"Eu quero a paz para a Venezuela , todos queremos paz para a Venezuela. Que os tambores da guerra se afastem, que as ameaças de invasão militar se afastem e que a Venezuela diga em um só coro, com uma só voz:  Queremos paz! Queremos felicidade!", discursou Maduro.

Por outro lado, em ruas de outras cidades do país, manifestantes pediam a entrada de ajuda humanitária no país. O presidente autoproclamado, Juan Guai dó , marcou para o próximo dia 23 a data para entrada no país de doações internacionais. Neste dia completará um mês que ele se proclamou presidente da República.

“Um mês depois que nós, venezuelanos, fizermos o juramento, 23 de fevereiro será o dia da ajuda humanitária para entrar no país. A partir de hoje vamos nos organizar para a maior mobilização da nossa história”, afirmou Guaidó no seu perfil no Twitter.

Guaidó também anunciou que haverá um centro de distribuição de doações em Roraima. O centro faz parte da cooperação coordenada por um gabinete interministerial do Brasil, envolvendo os ministérios da Saúde e da Defesa, e será instalado nos próximos dias.

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 “Para que a ajuda humanitária entre, precisamos de organização e mobilização. Não há ninguém que possa contra uma maioria organizada”, alertou Juan Guaidó , informando que no sábado (16) serão organizados conselhos destinados à organização da ajuda humanitária.

egundo o venezuelano, no domingo (17) haverá “acampamentos humanitários itinerantes” em distintos pontos do país. “Tudo o que estamos fazendo é impedir que continuemos a ver os venezuelanos sofrerem. Já basta. É hora de ajudar”, ressaltou nas redes sociais.

Guaidó disse ainda que haverá mais um centro de distribuição de ajuda humanitária, além de Roraima e Cúcuta, na Colômbia. De passagem por Brasília, a nova embaixadora venezuelana no Brasil, María Teresa Belandria, disse na segunda-feira (11) que há necessidade de alimentos, medicamentos, transporte e logística.

Em meio à chegada da primeira carga de ajuda humanitária ao, Nicolás Maduro manifestou sua insatisfação com a “intervenção” norte-americana e apontou o país de Donald Trump como o principal causador da crise venezuelana.

Em entrevista à  BBC News , divulgada nesta manhã, Maduro garantiu que não aceitará que a Venezuela receba ajuda humanitária dos Estados Unidos, já que esse seria um “show” projetado pelo país como uma forma de controlar e intervir na política venezuelana. “Eles são belistas que querem tomar a país."

"É uma guerra política, do império dos Estados Unidos, dos interesses da extrema-direita e da Klu Klux Klan , que governa a Casa Branca, para assumir a Venezuela", disse o líder venezuelano.

Nos últimos meses, o país vem enfrentando grave escassez de itens básicos, como medicamentos e alimentos. Porém, tal questão foi negada por Maduro , que afirmou que a Venezuela tem a capacidade de satisfazer as necessidades de seu povo e que não precisa de “migalhas de ninguém”.

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