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Grupo de Contato Internacional (GCI) formado por países como Uruguai, México e Bolívia, além da União Europeia, enviará uma missão técnica ao país

Grupo de Contato Internacional defende diálogo entre Maduro e opositores na Venezuela
Twitter/ @NicolasMaduro
Grupo de Contato Internacional defende diálogo entre Maduro e opositores na Venezuela

O Grupo de Contato Internacional (GCI) para a Venezuela, que se reuniu nessa quinta-feira (7) em Montevidéu, decidiu enviar uma missão técnica ao país para dialogar com o governo de Nicolás Maduro e a oposição liderada por Juan Guaidó.

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A cúpula deixou claro que o fim da crise deve ser uma "solução interna", em linha com a posição inicial da chefe da diplomacia europeia, a italiana Federica Mogherini, que defende a não intervenção na Venezuela .

O chanceler do Uruguai, Rodolfo Nin Novoa, disse que "a solução tem que ser venezuelana, porque a outra alternativa é o caos, é a confrontação e, com toda certeza, pode ser o conflito armado".

O grupo também apelou à realização de eleições presidenciais livres, segundo a declaração divulgada ao final do encontro, assinada por todos os países participantes, com exceção da Bolívia e do México, que não faz parte do grupo de contato, mas participou da reunião.

"O grupo apela à criação de uma abordagem internacional comum para apoiar uma resolução pacífica, política, democrática e integralmente venezuelana da crise, excluindo o uso da força, por meio de eleições presidenciais livres, transparentes e credíveis, de acordo com o Constituição venezuelana", diz a declaração.

Mogherini também destacou que a União Europeia (UE) já mobilizou ajuda para a Venezuela, no valor de 60 milhões de euros, aos quais se somarão outros 5 milhões. Ela disse que a ajuda humanitária deve ser canalizada de forma imparcial e não deve ser politizada. Ela também reiteirou que a UE está disposta a abrir um escritório para gerenciar essa assistência em Caracas.

Participaram da primeira reunião do GCI a UE, que esteve representada por Mogherini e por oito Estados-membros: Portugal, Espanha, Itália, França, Alemanha, Reino Unido, Holanda e Suécia. Do lado da América Latina, estiveram presentes a Bolívia, Costa Rica, o Equador, México e Uruguai.

Novoa disse que a participação no grupo está aberta a outros países e destacou a "confluência" com o chamado Mecanismo de Montevidéu, uma iniciativa proposta pelo México e o Uruguai e que consta de quatro etapas, centradas no diálogo imediato, na negociação, nos compromissos e implementação.

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Dos membros do grupo, três (Bolívia, Itália e Uruguai) não reconheceram o presidente da Assembleia Nacional, Juan Guaidó , como presidente interino da Venezuela. Guaidó se autoproclamou presidente do país no início de janeiro e foi reconhecido pela maior parte da comunidade internacional, incluindo o Brasil.

Brasil crítica cúpula sobre a Venezuela

O ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, criticou a cúpula realizada no Uruguai sobre a Venezuela
Flickr/ Ministério das Relações Exteriores
O ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, criticou a cúpula realizada no Uruguai sobre a Venezuela

O ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo disse, nesta quinta-feira (7), durante entrevista coletiva na embaixada do Brasil nos EUA, que considera que a iniciativa do Grupo de Contato Internacional para buscar uma solução para a crise política na Venezuela não é útil.

“Achamos que isso não é um ponto de partida. É uma iniciativa que, a exemplo de iniciativas no passado, por mais bem-intencionada que possa ser, terá, se prosperar, como resultado apenas retardar o fim do regime ditatorial, dar espaço de respiração para Nicolás Maduro e seu grupo e criar uma dúvida sobre a evolução do processo democrático”, disse Araújo.

O chanceler brasileiro disse que o “caminho” para a Venezuela é o reconhecimento do autoproclamado governo provisório de Juan Guaidó como legítimo, inclusive para buscar uma saída para Nicolás Maduro que, disse o chanceler, “não é mais uma parte legítima em nenhum diálogo”. “A iniciativa de Montevidéu parte das premissas erradas e não trará os resultados que todos esperamos, que é a volta da democracia na Venezuela. Apenas serviria para retardar esse processo, portanto não consideramos que seja uma iniciativa válida”, disse.

Na coletiva, o chanceler voltou a afirmar que o Brasil não apoia uma saída militar para a questão venezuelana e que acredita que a transição deve ser conduzida pelo poder local por meios políticos e diplomáticos. O ministro disse ainda lamentar o bloqueio da ajuda humanitária à Venezuela, enviada pelos Estados Unidos, que se encontra parada na Colômbia.

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“Lamentável que tenha tido esse bloqueio do acesso da ajuda humanitária, só temos a esperar que isso seja revertido pelas próprias forças venezuelanas que, de alguma maneira, tomaram essa atitude completamente desumana. Esperamos que seja facilitado e facultado o acesso ao povo venezuelano àquilo que ele tanto precisa”, disse.

Questionado se receberia representantes do governo de Maduro, Araújo disse que o governo brasileiro considera atualmente como seu canal oficial de comunicação com o país a embaixadora da Venezuela designada para o Brasil por Guaidó, María Teresa Belandria.

*Com informações da Agência Brasil