Tamanho do texto

Lei holandesa impede que autoridades interrompam serviço religioso e deportem refugiados abrigados pela igreja; o culto já dura cinco semanas

Filha mais velha da família participando do culto que já dura há 5 semanas
Reprodução/ Twitter @hayarpi_3
Filha mais velha da família participando do culto que já dura há 5 semanas

Como tentativa de impedir que uma família armênia seja deportada, a igreja Bethel, na Holanda, está há cinco semanas ininterruptas realizando um culto de duração de 24 horas por dia e impedindo que policiais invadam o local e expulsem os refugiados. Apesar do longo período, os centenas de envolvidos não demonstram desânimo.

Leia também: Trump exige que México deporte migrantes e ameaça fechar fronteira

De acordo com o jornal americano The New York Times, a ação só é possível por causa de uma lei holandesa que proíbe que autoridades conduzam operações durante serviços religiosos. A estratégia é abrigar os imigrantes na igreja e garantir que o culto dure todo o tempo em que eles estiverem lá.

Após viverem quase nove anos na Holanda , os armênios tiveram seu pedido de asilo negado, mesmo confirmando o perigo caso eles retornassem ao seu país de origem devido às ameaças de morte que a família recebia motivadas pelo ativismo político pelo pai. A família Tamrazyan é composta também pela mãe e três filhos de 21, 19 e 14 anos, respectivamente.

No início, a igreja protestante, localizada em Haia, pretendia dividir os pastores em turnos, a fim de que todos os horários fossem preenchidos. No entanto, mais de 450 pastores, diáconos, sacerdotes e líderes religiosos de diferentes nacionalidades se comoveram com a história e passaram a participar dos turnos do culto.

Leia também: Roraima pede ao STF a suspensão temporária da imigração de venezuelanos

De acordo com o pastor e porta-voz da família, Derk Stegeman, os Tamrazyan ainda têm esperanças de que as autoridades mudem de decisão e que eles possam ficar no Brasil. Segundo a Igreja Protestante da Holanda, a família não concedeu entrevistas e não quis ser identificada para proteger os familiares que ainda estão na Armênia.

No entanto, em setembro, no Twitter, a filha mais velha, Hayarpi, pediu que as pessoas ajudassem à família e recorressem ao governo. "Vocês têm o poder. Por favor, usem-no em nosso favor, e no de 400 crianças como nós. Somos inocentes".

De acordo com a lei holandesa, algumas exceções podem ser concedidas para acomodar famílias que estejam há pelo menos cinco anos no país, direito que foi negado aos Tamrazyan, devido à tensão envolvendo a onda de imigração em 2015 e 2016.

Esse fator pode ser expresso pelo caso de ordem – que depois foi retirada - de deportação de duas crianças armênias, que passaram quase a vida inteira na Holanda e, por isso, não sabiam falar sua língua de origem.

Leia também: Papa Francisco pede mais mulheres em cargos de responsabilidade na Igreja

Após os Tamrazyan não terem sido aceitos pela igreja de Katwijk, que não tinha recursos o suficiente, a família de imigrantes foi convidada a se abrigar em um apartamento na igreja Bethel, às 13h30 do dia 26 de outubro, dia em que se iniciou o culto, que, aparentemente, não tem previsão de acabar.

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.