O Mar Báltico é considerado o mais poluído do mundo
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O Mar Báltico é considerado o mais poluído do mundo

Medicamentos como paracetamol, ibuprofeno, carbamazepina e diclofenaco estão sendo encontrados no Mar Báltico, no nordeste da Europa. Pesquisadores da Suécia, Finlândia, Lituânia e Letônia estudam formas de diminuir a quantidade desses remédios que chegam à água.

O Mar Báltico é cercado por nove países e tem um ambiente marinho especialmente frágil porque sua ligação com outros mares é limitada. A região também tem características naturais que facilitam o acúmulo de substâncias contaminantes . A água leva cerca de 30 anos para se renovar, enquanto a área de terra que despeja água no mar reúne cerca de 85 milhões de pessoas. Além disso, o Báltico tem água com menor quantidade de sal e uma variedade menor de espécies, o que aumenta sua vulnerabilidade.

O mar tem uma longa história de contaminação por produtos químicos desde o início da industrialização da região, no fim do século 19. Por isso, o Báltico é chamado de “o mar mais poluído do mundo”, segundo o relatório da Comissão de Proteção do Ambiente Marinho do Mar Báltico (HELCOM).

Os pesquisadores consideram perigosas as substâncias que podem ser tóxicas, ficar por muito tempo no ambiente e se acumular nos organismos. Também entram nessa classificação substâncias que podem afetar os sistemas hormonais e de defesa dos organismos.

Um relatório da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) e da HELCOM, produzido há uma década, calcula que as estações de tratamento de esgoto liberem cerca de 1.800 toneladas de medicamentos no mar todos os anos.

Remédios podem ser descartados incorretamente em esgotos e indo parar no mar.
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Remédios podem ser descartados incorretamente em esgotos e indo parar no mar.


Substâncias podem durar por anos

Depois de chegar ao ambiente, alguns medicamentos podem ficar na água por muito tempo. Um dos exemplos citados pelos pesquisadores é a carbamazepina, usada no tratamento de epilepsia, dores nos nervos e transtorno bipolar.

Leva quase três anos e meio para que metade seja decomposta. Portanto, a decomposição é muito, muito lenta Marmar Nekoro, pesquisadora da Faculdade de Farmácia da Universidade de Uppsala, na Suécia, à Euronews


O problema estudado envolve os efeitos dessas substâncias sobre os seres vivos que entram em contato com elas, além da possível contribuição para o aumento da resistência a antibióticos e outros medicamentos contra infecções.

Peixes, sapos e outras espécies podem apresentar mudanças relacionadas ao desenvolvimento sexual quando entram em contato com estrogênios sintéticos. Essas alterações podem afetar grupos inteiros de animais.

Já o mexilhão-azul do Báltico, uma espécie importante para o ambiente porque filtra a água, pode ter menos energia para fazer suas funções normais e crescer quando entra em contato com alguns medicamentos usados contra dores.

Alternativas para os medicamentos

Um dos medicamentos acompanhados pelos pesquisadores é o diclofenaco, um anti-inflamatório usado para aliviar dores e que já foi encontrado em ambientes aquáticos.

Isso significa recorrer à prescrição racional. Quando os médicos prescrevem medicamentos, eles também precisam pensar em qual medicamento não é perigoso para o meio ambiente. Kristina Garuolienė, pesquisadora da Universidade de Vilnius, à Euronews.


Uma pesquisa recente realizada na Suécia sobre o uso de medicamentos, considerando também seus efeitos no ambiente, apontou que os médicos precisam de treinamento mais específico e de acesso mais fácil a informações ambientais sobre os produtos.

Outra abordagem estudada é o fim dos medicamentos que não foram usados. Eles podem chegar ao ambiente quando são colocados no lixo doméstico, despejados na pia ou jogados no vaso sanitário.

Na Lituânia, Garuolienė afirmou que tem aumentado a conscientização sobre a devolução de medicamentos às farmácias.

Todos os anos, as pessoas estão devolvendo cada vez mais medicamentos às farmácias Kristina Garuolienė, pesquisadora da Universidade de Vilnius, à Euronews.


Para os pesquisadores, devolver os medicamentos diminui a possibilidade de que eles sejam jogados no lixo ou despejados no vaso sanitário. 


O projeto internacional Reducing Pharmaceutical Pollution in the Baltic Sea Region: Analysing Use Patterns and Measures to Reduce Pollution from Human and Veterinary Use foi lançado em novembro de 2025 e envolve uma rede que reúne universidades e órgãos da Suécia, Finlândia, Lituânia e Letônia.

Os pesquisadores estão levantando as medidas que já são usadas nos países da região, analisando dificuldades e buscando encontrar iniciativas que possam ser ampliadas ou adaptadas. A proposta é reunir informações sobre todo o caminho percorrido pelos medicamentos, desde a fabricação e o uso até o descarte e o acompanhamento da presença dessas substâncias no ambiente.

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