Maré vermelha em Pipa (RN) em 2025
Reprodução
Maré vermelha em Pipa (RN) em 2025

Uma maré vermelha causada pela concentração de uma alga tóxica foi identificada no litoral do Texas, nos Estados Unidos, nesta segunda-feira (14). Na região de Galveston, moradores e frequentadores das praias relataram irritação nas vias respiratórias, enquanto equipes ambientais encontraram peixes mortos.

O fenômeno acontece quando certas algas microscópicas, como a Karenia brevis, se multiplicam muito acima do normal. Em alguns casos, a grande concentração de algas pode deixar a água avermelhada, dando origem ao nome do fenômeno. A espécie de alga encontrada no Texas  produz substâncias tóxicas chamadas brevetoxinas, que tornam o evento perigoso. 

A proliferação começou a ser acompanhada pelo Texas Parks and Wildlife Department (TPWD) em 08 de setembro, quando biólogos receberam os primeiros relatos sobre a presença do fenômeno na costa de Galveston. Desde então, equipes monitoram a região para descobrir o tamanho da ocorrência e os animais que foram afetados.

Maré vermelha, provocada pela espécie de alga Karenia brevis
Chase Fountain/Texas Parks & Wildlife
Maré vermelha, provocada pela espécie de alga Karenia brevis


Amostras de água coletadas entre 06 e 13 de setembro encontraram concentrações de moderadas a altas de  Karenia brevis,  espécie de alga responsável pela maré vermelha.

A presença da alga foi confirmada pelo National Centers for Coastal Ocean Sciences (NCCOS), órgão ligado à Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos EUA (NOAA), nas áreas de Galveston e da Península de Bolivar.

Perigos da Maré vermelha

Quando as ondas e o vento movimentam a água, podem romper as  células das algas e espalhar pequenas partículas no ar. Pessoas que estejam próximas à praia podem respirar essas partículas.

A exposição também pode causar irritação nos olhos, nariz, garganta e pele. Entre os sintomas estão coriza, espirros, tosse e dificuldade para respirar. Em casos raros, a dificuldade respiratória pode se parecer com uma crise de asma.

Quem entra na água em uma  área afetada também pode ter irritação e coceira nos olhos e na pele.

Os sintomas geralmente desaparecem depois que a pessoa deixa o local. Em exposições mais prolongadas, eles podem continuar por horas ou até dias.

O Departamento de Serviços de Saúde do Texas recomenda que as pessoas evitem nadar ou entrar na água em locais até o fim da maré vermelha.

Peixes mortos em uma praia perto de Sarasota, Flórida, vítimas de toxinas da maré vermelha de 2018
Reprodução/NOAA National Centers for Coastal Ocean Science
Peixes mortos em uma praia perto de Sarasota, Flórida, vítimas de toxinas da maré vermelha de 2018


As brevetoxinas também podem afetar o sistema nervoso dos peixes. Os animais podem ficar paralisados e ter dificuldade para respirar. Por isso, quando a alga se concentra em grandes quantidades, pode ocorrer a morte de peixes, que depois são levados pelas ondas até a praia.

Até a segunda-feira (14), os animais encontrados mortos eram principalmente savelhas-do-golfo e tainhas-listradas. Outras espécies também foram encontradas, mas em menor quantidade.

Além dos peixes, a proliferação da alga pode afetar outros animais marinhos, como mamíferos, tartarugas e aves.

Maré vermelha de Karenia brevis ao longo da costa da Flórida em 2002
CDC/ Sarah Segerlind, MPH
Maré vermelha de Karenia brevis ao longo da costa da Flórida em 2002


Intoxicação causa vômitos e formigamento

Ao contrário de peixes que não acumulam a toxina, ostras, mariscos ou mexilhões que tiveram contato com a água contaminada podem provocar uma doença chamada intoxicação neurotóxica por moluscos (NSP).

Os primeiros sintomas geralmente aparecem até três horas depois do consumo, mas podem surgir entre 15 minutos e 18 horas após a ingestão do alimento contaminado.

Os sinais mais comuns são dor abdominal, náusea, vômito e diarreia. Também pode surgir formigamento, que costuma começar ao redor da boca e depois atingir a garganta, o tronco, os braços e as pernas.


A pessoa também pode apresentar tontura, fraqueza muscular, falta de coordenação, calafrios, dor de cabeça e dores musculares.

Em casos mais graves, podem ocorrer aumento das pupilas, redução dos batimentos cardíacos e convulsões. A necessidade de ajuda para respirar é rara.

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