Fábrica da Bombril em São Bernardo do Campo (SP)
Divulgação/Bombril
Fábrica da Bombril em São Bernardo do Campo (SP)

Dois irmãos, de 24 e 22 anos, funcionários de uma empresa terceira que atua em uma operação da TPC  na fábrica da Bombril, em São Bernardo do Campo , na Grande São Paulo, registraram um boletim de ocorrência na manhã do último sábado (12) contra um colega que teria feito ameaças de morte contra eles.

Segundo o BO, os irmãos estavam na recepção da empresa quando tiveram um desentendimento com um funcionário do setor de logística, que teria passado a ameaçá-los. Um segurança teria intervindo e evitado que a situação evoluísse para agressões físicas.

O episódio aconteceu cerca de um mês após um trabalhador terceirizado matar três colegas durante um ataque na mesma fábrica.

Ameaças aos irmãos

Em um vídeo publicado nas redes sociais, Matheus Henrique Lima, de 24 anos, relatou que ele e o irmão começaram a trabalhar na fábrica há cerca de três semanas. No mesmo período, outro funcionário terceirizado teria iniciado as atividades no setor de logística.

Segundo Matheus, o irmão e o colega começaram a discutir sobre política durante o trabalho e, depois disso, deixaram de andar juntos.


Cerca de uma semana antes do episódio registrado no BO, o colega teria começado a fazer “piadinhas” com os irmãos durante o expediente. Entre os relatos, Matheus afirmou que o funcionário dizia que iria atropelá-los caso não saíssem da frente.

No dia 12 de setembro, por volta das 5h45, enquanto os irmãos deixavam a fábrica após o expediente, o colega teria iniciado uma discussão e os chamado para brigar do lado de fora da unidade. Ao perceber que os dois não davam atenção, ele teria passado a ameaçá-los de morte.

"O indivíduo dirigiu ofensas verbais e ameaças explícitas contra nossas vidas, nos chamando para fora do estabelecimento com a clara intenção de partir para a agressão física", relatou Matheus ao iG. 

O caso foi registrado como ameaça no 2º Distrito Policial de São Bernardo do Campo. Segundo o boletim, as vítimas foram orientadas sobre as providências legais cabíveis.

Ataque deixou três mortos

O episódio ocorre pouco mais de um mês após um ataque que deixou três funcionários mortos na fábrica da Bombril, localizada no bairro Rudge Ramos, às margens da Rodovia Anchieta.

Em 1º de agosto deste ano, um trabalhador terceirizado, de 33 anos, matou três colegas dentro da unidade. O crime ocorreu por volta das 5h50.

O homem apontado como autor do ataque foi contido por pessoas que estavam no local e levado ao 2º Distrito Policial de São Bernardo do Campo, onde morreu. A Polícia Civil investiga o triplo homicídio, enquanto a Corregedoria apura as circunstâncias da morte durante a custódia.

As vítimas foram identificadas como José Guilherme Victoriano de Moura, de 54 anos, que trabalhava como conferente; Edvaldo Santos da Silva, de 44, supervisor; e Douglas de Souza Vieira, de 39, operador de empilhadeira.

Segundo relatos de testemunhas registrados no boletim de ocorrência, o homem identificado como Claudio Henrique da Silva também trabalhava como operador de empilhadeira. Ele estava de folga, mas foi até a unidade naquela manhã.

Policiais militares foram acionados e, ao chegarem ao local, encontraram as três vítimas mortas e o suspeito já rendido. Ele foi conduzido ao distrito policial acompanhado de testemunhas.

Na época, a Bombril informou que ofereceu assistência às famílias das vítimas e que mantinha ativo um canal de ética para que funcionários pudessem denunciar casos de bullying, assédio e outras situações que estivessem em desacordo com as boas práticas definidas pela companhia.

Bombril publicou comunicado após morte de três funcionários dentro da fábrica em São Bernardo do Campo (SP)
Bombril/Linkedin
Bombril publicou comunicado após morte de três funcionários dentro da fábrica em São Bernardo do Campo (SP)




O que dizem as empresas

Em nota, a Bombril afirmou que tomou conhecimento da denúncia feita por um trabalhador da TPC, prestadora de serviços da companhia, e que está apurando internamento os fatos. A empresa também informou que ofereceu apoio à vítima e abriu um procedimento interno para revisar as imagens das câmeras de segurança. 

"A Bombril tomou conhecimento da denúncia realizada pelo trabalhador da empresa quarteirizada da TPC, prestadora de serviços da companhia e está apurando internamente os fatos. A empresa já solicitou informações à contratada sobre os envolvidos e a suposta discussão, já solicitou apoio à vítima e abriu procedimento interno para revisar imagens das câmeras de segurança. A Bombril repudia qualquer ato de violência e reforça que tem agido de forma proativa com seu canal de ética, que funciona tanto para colaboradores quanto para trabalhadores terceirizados. A companhia colaborará irrestritamente com órgãos competentes".

O iG também procurou a TPC,  que informou que iniciou a apuração dos fatos assim que tomou conhecimento da denúncia envolvendo um profissional de uma empresa terceira que atua em uma de suas operações.  Veja abaixo a nota na íntegra. 

"Tão logo tomou conhecimento de denúncia envolvendo um profissional de empresa terceira que atua em uma de suas operações, a TPC iniciou a apuração dos fatos para que sejam adotadas as providências cabíveis.
A empresa reitera que repudia qualquer forma de violência, ameaça, intimidação ou comportamento incompatível com um ambiente de trabalho seguro, respeitoso e pautado pela ética. Da mesma forma, exige de seus fornecedores a observância dos mesmos padrões de conduta, incluindo a manutenção de treinamentos, processos e canais adequados para o registro, acolhimento e tratamento de ocorrências dessa natureza.
A segurança, o respeito às pessoas e a integridade são valores inegociáveis para a TPC . Por essa razão, a companhia seguirá atuando diretamente junto à empresa prestadora de serviços para que, de acordo com o resultado das apurações, sejam apuradas todas as responsabilidades e tomadas todas as medidas cabíveis". 

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