
Quem atravessa os Lençóis Maranhenses raramente repara, mas debaixo daquela areia existe um fóssil pouco conhecido: o fulgurito, composto por tubos de vidro natural que reproduzem o trajeto exato de raios quando se chocam com a areia. O nome deriva do latim fulgur e o material é considerado raro pela literatura científica.

Apesar da dificuldade de se encontrar um fulgurito na natureza, guias de turismo na região dos Lençóis Maranhenses, no Nordeste do Brasil, relatam encontros frequentes com o raio fossilizado. Devido ao calor extremo do relâmpago, que passa dos 30 mil graus celsius, a areia derrete e os grãos se fundem instantaneamente, formando o caminho que a eletricidade faz pelo solo.

Por fim, o resfriamento rápido endurece o material e o transforma em vidro natural. O resultado lembra uma raiz enterrada feita de tubos ocos que se ramificam conforme o espalhamento da descarga elétrica. Além disso, a superfície externa do fulgurito é áspera, enquanto a parede interna permanece lisa.

Ademais, as bolhas de ar antigo presas no interior transformaram os fulguritos em ferramentas de pesquisa climática no mundo científico. Ao analisar peças de 250 milhões de anos encontradas no Saara, pesquisadores confirmaram que aquela região do deserto já foi fértil e recebia tempestades com regularidade.

No entanto, muito do que circula sobre o assunto na internet parte de fake news. Fotos de estruturas gigantescas expostas na praia geralmente se tratam de esculturas ou montagens, já que o fulgurito se forma enterrado e só aparece quando a camada de areia ao redor se desfaz.
