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PM dita ritmo da caminhada rumo à Avenida Paulista, enquanto lideranças aproveitam carro de som para atacar reforma e convocar greve geral; no asfalto, estudantes se dizem "pior do que facada": "Bolsonaro, você vai cair!"

Largo da Batata
Divulgação/UNE - @cucadauneoficial
Concentração de manifestantes no Largo da Batata, em São Paulo

Cerca de 300 mil manifestantes participam do protesto realizado nesta quinta-feira (30), em São Paulo, contra os cortes do Ministério da Educação, segundo estimativa dos organizadores do ato. O grupo é constituído, em sua maioria, por estudantes, professores e sindicalistas. 

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Marcada para ter início às 16h, a manifestação de estudantes começou a se deslocar do Largo da Batata, na zona oeste da capital paulista, em direção à Avenida Paulista apenas às 17h45. Os manifestantes carregam bandeiras, faixas e cartazes e são acompanhados por carros de som e baterias de grupos universitários, que puxam de tempos em tempos coros como "Tira a tesoura da mão/ Tira a tesoura da mão/ Tira a tesoura da mão/ E investe em Educação!".

A Polícia Militar escolta a movimentação dos manifestantes desde o início do ato. Ao menos seis viaturas da PM seguem à frente da massa, 'regendo' o avanço da marcha pelas avenidas Brigadeiro Faria Lima e Rebouças.

"É a gente que mantém o ritmo da manifestação", instrui o capitão Elton ao seu colega. "A cauda está muito longa, não podemos deixar uma manifestação virar duas", continua. "Segura, não deixa passar. A manifestação está longa demais", discutem os policiais.

Atrás dos PMs, as lideranças da manifestação proclamam seus protestos do alto do carro de som. Nem todas as bandeiras do grupo são ligadas às políticas do governo para a educação e ao contingenciamento de R$ 5,8 bilhões ao orçamento do MEC .

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Largo da Batata
Larissa Pereira/ iG São Paulo
Marcha de estudantes segue do Largo da Batata para a Avenida Paulista

"Se o problema é o dinheiro, contingência aos banqueiros", sugeriu a Professora Flávia, do coletivo Reviravolta da Educação. "Para esse governo temos uma palavra de ordem: Tira as mãos da Previdência, tira a mão da educação", completou.

Com ataques ao presidente Jair Bolsonaro (PSL) e ao ministro da Educação, Abraham Weintraub, (considerados "covardes" por "não terem coragem de admitir os cortes" em universidades e institutos federais), a professora diz que o contingenciamento de verbas chegou às escolas públicas.

Ela reclama que as instituições de ensino têm enfrentado falta de merenda e transporte escolar, reclamando também do cancelamento de pesquisas e da falta de verba para a construção de novas creches.

"A gente quer mais educação, mais pesquisa, mais trabalho e queremos nos aposentar", corrobora Laura, vice-presidente do Diretório Central dos Estudantes da Universidade Federal do ABC (UFABC), aproveitando o momento ao microfone para convocou os manifestantes a apoiarem greve geral agendada para o dia 14 de junho.

"Estamos nas ruas hoje mostrando que nós temos o verdadeiro amor pelo País", bradou Bianca, do  Diretório Central dos Estudantes da USP.

Abaixo da Professora Flávia, de Laura e de Bianca, os manifestantes se dizem confiantes de que a revolta dos estudantes surtirá efeito contra o governo."Estudantes são pior do que facada, Bolsonaro", diz um estudante secundarista, em referência ao atentado sofrido pelo presidente em Juiz de Fora (MG). "Você vai cair", profetiza.

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Veja imagens das manifestações de estudantes pelo País: