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Demitido ontem, o agora ex-dirigente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira disse que Vélez não tem "controle emocional"; comunicação dentro do ministério também foi alvo de críticas

Ex-presidente do Inep, Marcus Vinicius Rodrigues afirmou que ex-patrão Vélez Rodríguez é 'gerencialmente incompetente'
Andre Sousa/MEC
Ex-presidente do Inep, Marcus Vinicius Rodrigues afirmou que ex-patrão Vélez Rodríguez é 'gerencialmente incompetente'

Demitido, nesta terça-feira (26) , pelo ministro da Educação, Ricardo Vélez Rodríguez, o agora ex-presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Texeira (Inep), Marcus Vinicius Rodrigues afirmou à imprensa que o ex-patrão é "gerencialmente incompetente". Rodrigues também disse que Vélez "não tem controle emocional".

"[Ricardo Vélez Rodríguez ] É uma pessoa do bem, tem boa vontade. Mas o ministro Ricardo é gerencialmente incompetente. Ele não tem conhecimento de gestão, além de não ser um educador. Isso faz com que ele não consiga gerenciar o dia a dia em um governo tão importante, que está tentando recuperar o Brasil", disse o ex-presidente do Inep. 

A declaração foi dada nesta terça-feira e publicada na edição de hoje do jornal O Globo , após a exoneração do dirigente. Na mesma entrevista, o presidente demitido do Inep disse que a portaria suspendendo a avaliação da alfabetização no país este ano, apontada como motivo da sua demissão, foi apenas um "pretexto" de Vélez para retirá-lo do cargo. No entanto, não assumiu a demissão como injusta. 

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"A minha demissão não foi uma injustiça. Foi um ato de incompetência gerencial de um ministro que não tem poder de gestão, não tem controle emocional para dirigir a Educação do Brasil", afirmou. "Pesou o fato de termos um modelo de gestão aplicada no Inep muito destoante do que vem sendo aplicado no MEC", disse.

Ainda segundo Marcus Vinicius, a suspensão dos testes para crianças de 7 anos, que estão aprendendo a ler e escrever, foi um pedido direto do secretário de Alfabetização do MEC, Carlos Nadalim, que é muito próximo a Vélez. Ontem, o ministro afirmou que foi surpreendido pela suspensão, após repercussão negativa da portaria publicada na última segunda-feira. E, por conta disso, Vélez a revogou no dia seguinte.

"Eu não posso dizer que ele não sabia. Mas o secretário de Alfabetização é provavelmente o colaborador mais próximo do ministro hoje. Os dois moravam na mesma cidade, são grandes amigos", conta o ex-presidente do Inep. "Acho difícil que o Nadalim não tenha informado ao ministro sobre uma coisa tão importante. Mesmo porque o Nadalim não foi punido. Se o Nadalim tivesse traído o ministro, provavelmente seria exonerado", concluiu.

Apesar das declarações, Marcus Vinicius afirmou que não há comunicação dentro do Ministério da Educação (MEC). Em outra entrevista ao jornal Bom Dia Brasil, da TV Globo, nesta quarta, o ex-dirigente apontou falta de diálogo entre os membros da pasta.

"Foi um processo muito ruim, que mostrou a incompetência gerencial muito grande", disse. Ele também afirmou ao jornal que, em três meses de governo, não houve nenhuma reunião de trabalho com o ministro da Educação.

A demissão de Marcus Vinicius abre mais uma crise dentro do MEC , que vem enfrentando dificuldades para avançar num momento em que a pasta se encontra em ebulição.

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Com danças das cadeiras quase que semanais , o ministério comandado por Vélez Rodríguez tem sido palco de embates entre militares, técnicos e os chamados 'olavistas' – ex-alunos de Olavo de Carvalho. Marcus Vinicius é doutor em Engenharia de Produção e foi professor da Fundação Getulio Vargas.