
O apagão em São Paulo começou na quarta-feira (10/12), depois da ventania causada por um ciclone extratropical. Cinco dias depois, ainda existem mais de 50 mil imóveis sem energia . O apagão também é institucional.
O vento passou, mas a escuridão institucional continua soprando forte.
A Enel SP, velha conhecida do escuro paulistano, não é novata nisso. Desde que assumiu a antiga Eletropaulo, em 2018, já acumulou mais de R$ 374 milhões em multas aplicadas por falhas na prestação do serviço. Multas que, pelo visto, funcionam mais como taxa de permanência do que punição.
Afinal, mesmo com histórico ruim, a empresa pede renovação antecipada da concessão, que vence só em 2028. É como reprovar todo ano e ainda pedir desconto na mensalidade.
No meio do caos, o ministro de Minas e Energia admite que está “às cegas”, porque a ANEEL não entrega dados suficientes de fiscalização. Ou seja: a empresa falha, a agência não fiscaliza direito e o governo não sabe se pode punir. Um apagão técnico, regulatório e moral.
Quando todos estão no escuro, até a lanterna da responsabilidade fica sem pilha.
O governador ameaça, o governo federal endurece o discurso, a Justiça aplica multa de R$ 200 mil por hora de descumprimento da liminar. E a Enel ignora com a tranquilidade de quem já fez essa conta antes.
E quando faltam explicações, surge o plano B: a culpa é da prefeitura que não podou árvores. A lógica é simples: o sistema elétrico falha, mas o problema é o galho. Um argumento tão frágil quanto poste velho em dia de vento.
Resumo da ópera
- A Enel promete e não entrega.
- A ANEEL regula em câmera lenta.
- Governos trocam farpas.
- A conta chega… mas no escuro.
Energia pra não assumir a culpa tem de sobra. Então, aproveitemos pra brincar de esconde-esconde neste jogo de empurra-empurra.
Fiz um vídeo falando das minhas desventuras na escuridão. Assista e se divirta!