Campanha da Vivo criada pela Africa Creative usa formiguinhas animadas e referências aos anos 2000 para incentivar o descarte correto de eletrônicos e celebrar os 20 anos do Vivo Recicle
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Campanha da Vivo criada pela Africa Creative usa formiguinhas animadas e referências aos anos 2000 para incentivar o descarte correto de eletrônicos e celebrar os 20 anos do Vivo Recicle

Uma formiguinha carregando um MP3 player pelas ruas pode parecer apenas uma ideia divertida para um comercial. Mas, para a Vivo, a pequena jornada tem uma missão maior: mostrar que a sustentabilidade também depende de gestos individuais — e que convencer o consumidor a mudar de hábito exige mais do que alertas sobre a crise ambiental.

Para celebrar os 20 anos do Vivo Recicle, programa de coleta e reciclagem de eletrônicos da operadora, a marca lançou a campanha "O trabalho é de formiguinha, mas o resultado é gigante". Criada pela Africa Creative, a ação aposta em animação, humor e referências aos anos 2000 para aproximar um tema complexo da rotina do público.

A escolha faz sentido para um desafio que não se resolve apenas com informação técnica. Muita gente sabe que não deve jogar pilhas, celulares e outros aparelhos no lixo comum, mas nem sempre conhece as alternativas para descartá-los corretamente. Segundo dados da Green Eletron citados pela Vivo, 25% dos brasileiros acreditam não ter responsabilidade pelo destino desses resíduos.

A campanha tenta atuar nesse ponto: em vez de apresentar a reciclagem como uma obrigação distante, transforma o assunto em uma história visual, simples e fácil de compartilhar.

Sustentabilidade precisa sair do discurso

O filme apresenta um grupo de formiguinhas que transporta um antigo MP3 player até uma loja da Vivo, na qual o aparelho recebe a destinação adequada. A estética nostálgica ajuda a criar identificação, enquanto as personagens dão personalidade a uma mensagem que poderia facilmente cair no tom de uma palestra ambiental.


A campanha também se estende às redes sociais e às lojas da operadora, que funcionam como pontos de coleta do programa. Entre os desdobramentos está o quadro "Formiguinha Responde", com conteúdos educativos sobre reciclagem eletrônica e economia circular.

A estratégia combina entretenimento e serviço. A marca não quer apenas associar seu nome à pauta ambiental: precisa mostrar ao consumidor o que ele pode fazer, na prática, com aquele celular antigo guardado na gaveta ou com um aparelho que já não funciona.

Essa diferença importa para o marketing. Uma campanha pode gerar simpatia e boas visualizações, mas a mudança de comportamento depende de um próximo passo claro. Ao conectar a história das personagens a pontos físicos de coleta, a Vivo cria uma ponte entre a comunicação e uma ação concreta.

Os números dão dimensão ao desafio

Criado em 2006, antes da implementação da Política Nacional de Resíduos Sólidos, o Vivo Recicle já coletou mais de 5,3 milhões de itens, equivalentes a 232 toneladas de resíduos eletroeletrônicos, segundo a empresa.

Em 2025, o programa reciclou 45 toneladas de materiais, transformados em matéria-prima para a indústria. A Vivo também assumiu a meta pública e voluntária de coletar 375 toneladas de resíduos eletroeletrônicos até 2035.

Os dados ajudam a dimensionar o trabalho, mas também mostram por que a comunicação é parte importante da iniciativa. O Brasil consome tecnologia em grande escala, enquanto a reciclagem desses produtos ainda enfrenta barreiras de informação, acesso e hábito. A empresa cita dados do setor segundo os quais pouco mais de 3% dos resíduos eletrônicos gerados no país são reciclados.

Para Sabrina Romero, diretora de Marca e Comunicação da Vivo, a dificuldade está justamente em transformar a disposição de ajudar em uma atitude concreta. "As pessoas querem ajudar, mas falta saber por onde começar", afirma.

A campanha procura responder a essa lacuna com uma mensagem acessível e personagens que podem continuar presentes em diferentes formatos, para além do filme principal.

Uma conversa com as novas gerações

A iniciativa também se conecta ao trabalho educacional da Fundação Telefônica Vivo. Em 2026, ações realizadas com o voluntariado da fundação mobilizaram cerca de 32 mil alunos e educadores de 33 escolas públicas, em 12 cidades brasileiras, e resultaram na arrecadação de 37 toneladas de resíduos eletroeletrônicos. Neste ano, o programa começou a ser ampliado para escolas particulares em São Paulo e Curitiba.

O movimento reforça uma questão importante para as marcas: sustentabilidade não se constrói apenas com campanhas sazonais ou mensagens institucionais. Ela ganha consistência quando aparece em diferentes pontos de contato e oferece caminhos para que as pessoas participem.


A criação de personagens próprios ainda permite que o tema seja retomado em novos conteúdos, com linguagem adequada a diferentes públicos. Segundo Heloisa Pupim, co-COO da Africa Creative, a intenção foi criar uma narrativa capaz de despertar curiosidade e transformar a reciclagem eletrônica em uma história divertida e fácil de acompanhar.

O resultado da campanha, porém, não deve ser medido apenas pelo alcance ou pela lembrança da marca. O indicador mais relevante será a capacidade de levar mais pessoas a descartar seus eletrônicos corretamente e ampliar a coleta.

A metáfora das formiguinhas funciona porque traduz uma ideia simples: grandes mudanças ambientais dependem de muitas ações pequenas. Para a Vivo, o desafio é fazer com que a mensagem não termine quando o comercial acaba — e que a próxima etapa da história seja vivida pelo próprio consumidor.

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