Novo set da LEGO recria o capacete usado por Ayrton Senna em 1988, ano do primeiro título mundial do piloto brasileiro
Foto: Divulgação
Novo set da LEGO recria o capacete usado por Ayrton Senna em 1988, ano do primeiro título mundial do piloto brasileiro

Ayrton Senna morreu há mais de 30 anos. Mesmo assim, sua marca ainda encontra gente nova para conquistar — gente que nunca viu ele correr. A aposta da vez é vem em 931 peças de LEGO e é aí que a ideia fica interessante.

A Senna Brands anunciou uma nova parceria com a LEGO para recriar o capacete que Ayrton usou em 1988, ano do seu primeiro título mundial . É a segunda vez que as marcas trabalham juntas: a primeira foi o LEGO Icons McLaren MP4/4 Senna, de 2024 .

Mais do que um lançamento para colecionador, o case mostra como a marca Senna usa o licenciamento como motor de expansão internacional — sem deixar de lado a história de Ayrton, que se mantém viva para gerações que não têm nenhuma lembrança afetiva das pistas dos anos 80 e 90.

Capacete que junta duas eras do Senna

O LEGO Editions Ayrton Senna Helmet reproduz o capacete amarelo com as listras verde e azul e os patrocinadores originais da época . O conjunto vem com uma minifigura exclusiva do piloto — que veste uma camiseta com o Senninha, personagem que o próprio Ayrton criou em 1994 .

Esse detalhe não é acaso. Colocar Senna e Senninha no mesmo produto conecta duas fases da mesma propriedade: o campeão e o personagem que ele deixou para as crianças. O objetivo não é só relembrar um título — é manter viva uma mentalidade, símbolos que ainda fazem sentido para quem está descobrindo essa história agora.

Toda marca construída em cima de uma grande personalidade enfrenta o mesmo dilema: como manter a autenticidade sem virar peça de museu? Uma saída é colocar esse legado em espaços e meios nos quais o público já está — e é exatamente o que a Senna Brands faz aqui.

Por que o adulto colecionador virou alvo do marketing

A escolha da LEGO não é aleatória. O mercado de brinquedos mudou, e os chamados " kidults" — adultos que compram brinquedos e colecionáveis para si — puxam boa parte desse crescimento. Segundo o Circana 2026 Global Toy Report, o setor faturou US$ 123 bilhões no último ano, 8% a mais que no anterior.

No Brasil, o retrato é parecido. Produtos que conversam com várias gerações já respondem por 21% do faturamento do setor de brinquedos. Os itens voltados a adolescentes e adultos somam outros 13% das vendas, com crescimento de 38% ao ano.

Isso muda a lógica de compra. Ninguém pega um capacete de LEGO para "brincar". Compra para lembrar, para expor na estante, para ter por perto um pedaço de uma história que importa. E é exatamente nesse espaço que uma marca como Senna encontra terreno fértil.

Licenciamento como estratégia de expansão

A Senna Brands hoje soma 65 parceiros ativos e presença em 70 países — números que ajudam a entender o tamanho da ambição por trás da operação.

Nesse modelo, o licenciamento funciona como atalho. Em vez de construir sozinha uma presença em cada categoria e cada mercado, a marca se associa a empresas que já têm distribuição, conhecimento local e credibilidade com seus públicos.

A LEGO encaixa perfeitamente nessa conta: também é uma marca que vive de memória, cultura pop e colecionismo. Sua linha de capacetes de Fórmula 1 já inclui nomes como Lewis Hamilton, Charles Leclerc e Lando Norris . Senna entra nesse time não só como piloto histórico, mas como propriedade capaz de gerar desejo décadas depois de aposentado.


No Brasil, o set chega às lojas em 29 de setembro, por R$ 799,99 . Parte dos royalties de licenciamento vai para o Instituto Ayrton Senna, que atua há mais de 30 anos em educação pública.

O que fica para quem trabalha com marca

O capacete é só o produto na prateleira. O negócio de verdade está em outro lugar: fazer com que uma história conhecida continue a gerar desejo e conexão em mercados que não param de mudar.

Para quem trabalha com marketing, o case deixa uma lição simples: marca com legado não precisa escolher entre preservar a própria história e conquistar público novo. O trabalho é achar os parceiros e os formatos certos para fazer as duas coisas ao mesmo tempo.

    Compartilhar
    Comentários
    Clique aqui e deixe seu comentário!

    Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.

    Mais Recentes