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Ave famosa após a animação "Rio" foi reclassificada como "extinta na natureza"; cerca de 80 indivíduos da espécie ainda vivem em cativeiro

A ararinha-azul foi classificada como
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A ararinha-azul foi classificada como "extinta na natureza", sendo que ainda há esperanças de encontrá-la fora de cativeiros

A ararinha-azul, espécie de ave que ficou muito conhecida em 2011 após a animação Rio , teve sua extinção na natureza confirmada ou classificada em "altamente provável". De acordo com relatório da organização BirdLife International , a Cyanopsitta spixii está em na lista com outros sete animais que também tiveram a possível extinção anunciada neste ano.

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A constatação é resultado de um estudo estatístico de 51 espécies criticamente ameaçadas. Foram analisadas a intensidade das ameaças, o tempo e a confiabilidade dos seus registros, além do tempo e da confiabilidade dos esforços de buscas. Assim, descobriu-se que a ararinha-azul e mais sete espécies, quatro delas brasileiras e mais três da América do Sul, tiveram a extinção confirmada ou suspeita na natureza.

O desaparecimento é um reflexo dos efeitos devastadores dos altos níveis de desmatamento na América Latina, segundo a organização. “90% das extinções de aves nos séculos recentes foram de espécies em ilhas”, explicou Stuart Butchart, cientista da BirdLife e líder do estudo, publicado recentemente.

“Contudo, nossos resultados confirmaram que há uma onda em crescimento de extinções nos continentes, movidas pela perda de habitat e degradação por agriculturas e desmatamento insustentáveis”, pontuou.

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Nova classificação para a ararinha-azul e outras espécies

A ararinha-azul encontra-se em uma situação crítica, mas ainda há esperanças para salvá-la da completa extinção
Rüdiger Stehn/Wikimedia Commons
A ararinha-azul encontra-se em uma situação crítica, mas ainda há esperanças para salvá-la da completa extinção

Assim, três das oito espécies devem ser internacionalmente reclassificadas como extintas. Elas são o gritador-do-nordeste ( Cichlocolaptes mazarbanetti) , o limpa-folha-do-nordeste ( Philydor novaesi ) e a trepadeira-de-cara-preta ( Melamprosops phaeosoma ), do Havaí, que não é vista em seu habitat natural desde 2004.

Outras quatro aves devem receber a classificação de “criticamente ameaçado (possivelmente extinto)”, ou seja, que precisam de mais buscas antes de concluir a categorização. Dentre as espécies, estão duas brasileiras: o caburé-de-Pernambuco ( Glaucidium mooreorum ) e a arara-azul-pequena ( Anodorhynchus glaucus) .

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Contudo, por mais que a situação da ararinha-azul seja muito preocupante, ainda há esperança para essa ave. Considerada “extinta na natureza”, de 60 a 80 indivíduos ainda podem ser encontrados em cativeiro, e, além disso, um exemplar foi visto sozinho em 2016, o que levantou duas suspeitas: a existência de mais araras em seu habitat natural ou a fuga de algum cativeiro.