
Uma nuvem branca de gelo que pode chegar até 1.800 quilômetros de comprimento em Marte e desaparece em questão de horas. Apesar de impressionante, o fenômeno já era conhecido pela ciência, mas voltou a chamar atenção. Segundo pesquisa da Agência Espacial Europeia (ESA), simulações recentes indicam que um mecanismo incomum e nunca antes observados em atmosferas planetárias pode explicar a formação da nuvem gigante.
Conforme as informações divulgadas no dia 07 de outubro, a Nuvem Alongada de Arsia Mons (AMEC) é resultado de processos relacionados ao relevo e ao vapor de água. A nuvem aparece a favor do vento que paira sobre o Arsia, vulcão extinto de 20 quilômetros de altura.
Esse tipo de nuvem é chamado de orográfica e também existe na Terra. Ela ocorre quando o vento encontra montanhas e é forçado a subir. Em Marte, a nuvem cresce rapidamente, atinge quilômetros de comprimento e evapora. O tamanho é tanto que pode ser observado facilmente pairando sob o planeta.
Mecanismo incomum
Conforme a ESA, os pesquisadores incorporaram novo processo nas simulações meteorológicas que tentam exemplificar e explicar como a nuvem se forma no planeta vermelho.
O processo é chamado nucleação homogênea e ocorre quando partículas de gelo se formam diretamente do vapor de água independentemente de outras pequenas moléculas, como poeira, que serviriam de apoio para a formação.
Antes da inclusão desse mecanismo, as simulações não conseguiam reproduzir a nuvem de forma semelhante ao observado pelas sondas apontadas a Marte.
O autor principal do estudo, Jorge Hernández-Bernal, afirmou que esse processo físico era conhecido somente por teorias, sem nunca ter sido observado atuando de fato em uma atmosfera.
O avanço ajuda na compreensão da nucleação homogênea e da nuvem, mas ainda restam lacunas e ainda existem diferenças entre o comportamento reproduzido nos modelos e o registrado nas observações, sobretudo no tempo de formação e duração e no comprimento da nuvem.
Nuvem foi conhecida em 2018
A nuvem gigante foi avistada pela primeira vez em 2018 pela sonda Mars Expressa. Conforme a ESA, ela surge na primavera e verão do hemisfério sul de Marte, quando há maior atividade de poeira na atmosfera.
Entender a formação desse fenômeno pode ajudar a ciência a compreender comportamentos do vapor d’água diferentes dos conhecidos e encontrados sob as condições terrestres.