Eclipse lunar no dia 28 de agosto registrado por telescópio na cidade de São Carlos (SP)
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Eclipse lunar no dia 28 de agosto registrado por telescópio na cidade de São Carlos (SP)

O eclipse lunar parcial que aconteceu na noite de quinta-feira (27) para sexta-feira (28) faz parte de um levantamento da NASA que reúne 12.064 eclipses lunares ao longo de cinco mil anos. O catálogo permite consultar fenômenos que aconteceram desde 2000 a.C. e que ainda vão acontecer até o ano 3000.

Chamado de “Cânone dos Eclipses Lunares em Cinco Milênios”, o documento de 680 páginas funciona como um grande calendário desses fenômenos. 

Dos 12.064 eclipses registrados, 4.378 são penumbrais, o que equivale a 36,3% do total. Outros 4.207 são parciais, que representam 34,9%, enquanto 3.479 são totais, correspondentes a 28,8%.

Alguns destaques de todo o período são o eclipse lunar total mais longo, que aconteceu no ano 318 e durou uma hora e 47 minutos, e o eclipse lunar parcial mais longo, que ainda vai acontecer. O fenômeno está previsto para  2669, com duração de três horas e 30 minutos.

O levantamento mostra ainda que a quantidade de eclipses pode variar de um ano para outro. Ao longo dos cinco mil anos analisados, haverá pelo menos dois e, no máximo, cinco eclipses lunares em um mesmo ano. 

Eclipse lunar total mais longo do
Reprodução/Nasa
Eclipse lunar total mais longo do "cânone"(318 d.C., à esquerda) e eclipse lunar parcial mais longo já previsto (2669, à direita)


 Como funciona o calendário da NASA

O levantamento foi feito a partir de cálculos sobre os movimentos da Lua, da Terra e do Sol. Com essas informações, os pesquisadores conseguem calcular a posição dos três astros ao longo do tempo e identificar quando haverá condições para um novo eclipse lunar.

O cálculo não serve só para saber a data, mas também a duração do fenômeno, o momento em que cada fase começa e termina e as regiões da Terra de onde o eclipse poderá ser observado.

Para fazer essas previsões, os pesquisadores também consideram pequenas variações na rotação da Terra, já que o planeta não gira sempre exatamente da mesma maneira, o que pode alterar os horários calculados para os eclipses.

Para períodos muito antigos, os pesquisadores também podem comparar os cálculos com registros históricos. Já para épocas recentes, há observações que ajudam a ajustar os cálculos. No caso do futuro, as datas são projetadas a partir dos movimentos conhecidos dos corpos celestes e dos dados disponíveis.

Quando serão os próximos eclipses?

O calendário mostra que os próximos anos terão uma sequência de eclipses lunares de diferentes tipos. Depois do eclipse parcial de 28 de agosto de 2026, o próximo será um eclipse penumbral em 20 de fevereiro de 2027. Em seguida, haverá outro penumbral em 18 de julho e mais um em 17 de agosto.

Próximo eclipse lunar previsto pela NASA será penumbral e acontecerá em 20 de fevereiro de 2027
Reprodução/Nasa
Próximo eclipse lunar previsto pela NASA será penumbral e acontecerá em 20 de fevereiro de 2027


Em 12 de janeiro de 2028, acontecerá um eclipse lunar parcial. Ainda em 2028, haverá um eclipse total em 31 de dezembro.

O ano de 2029 terá dois eclipses lunares totais. O primeiro ocorrerá em 26 de junho e o segundo em 20 de dezembro. O eclipse de junho será o maior eclipse lunar total do século 21, ou seja, será aquele em que a Lua ficará mais profundamente dentro da sombra da Terra.

Para quem espera pelos eclipses totais, a sequência continua nos anos seguintes. O catálogo prevê eclipses desse tipo em 2032 e 2033, além de novos eventos totais em 2043 e 2044. Essas sequências fazem parte das chamadas tétrades, quando quatro eclipses lunares totais acontecem em sequência.

Ao todo, o século 21 terá 228 eclipses lunares. Desse total, 86 serão penumbrais, 57 parciais e 85 totais.


Entre os fenômenos mais extremos do século esteve o eclipse lunar total de 27 de julho de 2018, o mais longo, com uma hora, 42 minutos e 57 segundos. No extremo oposto está o eclipse total de 04 de abril de 2015, com apenas quatro minutos e 43 segundos de duração.

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