
Um chapéu de ouro produzido entre 1000 a.C. e 800 a.C. pode ter sido usado para fazer cálculos de calendário e acompanhar fenômenos astronômicos, incluindo eclipses.
Conhecido como Chapéu de Ouro de Berlim, o objeto tem 74 centímetros de altura, pesa cerca de 480 gramas e foi feito de uma única peça de ouro.
A peça faz parte da coleção do Museum für Vor- und Frühgeschichte, em Berlim, e está exposta no Neues Museum. É considerado um objeto de uso ritual da Idade do Bronze e teria sido produzido na Europa Central.
Sua superfície é coberta por centenas de círculos e outros símbolos que podem representar uma forma de acompanhar os ciclos do Sol e da Lua.

Um calendário gravado no ouro
A principal pista sobre uma possível função de calendário está nos desenhos gravados em sua superfície. Os símbolos aparecem organizados em diferentes faixas e áreas, com círculos de vários tamanhos e outros elementos associados ao Sol, à Lua e a Vênus.
Segundo a análise apresentada pelo arqueólogo alemão Wilfried Menghin, essa organização pode representar um sistema de calendário que combinava os movimentos do Sol e da Lua. Esse tipo de calendário é chamado de lunissolar, ou seja, considera os dois ciclos para acompanhar a passagem do tempo.
Assim, os círculos poderiam ter sido usados como marcas de contagem, permitindo relacionar determinados grupos de símbolos a períodos de dias e meses.
Um ciclo de 19 anos
O Chapéu de Ouro de Berlim possui 19 áreas ornamentadas, além de diferentes padrões formados por círculos. A análise de Menghin registra 1.701 anéis concêntricos e outros 38 símbolos associados às luas, chegando a 1.739 elementos considerados na interpretação.
A análise identifica no objeto uma possível representação de um ciclo de 19 anos. Nesse período, os ciclos do Sol e da Lua podem voltar a ficar próximos por meio da inclusão de meses extras no calendário.
O sistema representado no chapéu teria como referência 228 meses solares e 235 meses lunares. Como esses ciclos não têm exatamente a mesma duração, seria necessário fazer ajustes ao longo dos anos para manter o calendário de acordo com os movimentos observados no céu.
Na prática, isso permitiria acompanhar a diferença entre os meses definidos pelo ciclo solar e aqueles baseados nas fases da Lua. O estudo aponta que as marcas do objeto tinham diversas correspondências com cálculos relacionados à duração desses períodos.
Uma das possibilidades é que o chapéu pudesse ajudar a determinar a época de festas relacionadas às fases da Lua. O mesmo sistema também poderia, em determinadas condições, ser usado para fazer cálculos relacionados a fenômenos astronômicos, como eclipses.